Economia
Robô faz acrobacias e salta com pouso firme em teste nos EUA
O robô humanoide Atlas, criado pela Boston Dynamics, voltou a impressionar ao realizar uma série de movimentos acrobáticos, como uma estrela e um salto mortal para trás, aterrissando com estabilidade sobre os dois pés. Essa demonstração faz parte da fase final de avaliação da versão de pesquisa do robô, antes de sua transição para um modelo voltado à produção industrial.
Em parceria com o Robotics & AI Institute (RAI), a Boston Dynamics submeteu o Atlas a uma sequência completa de movimentos corporais, que variam desde uma caminhada natural até acrobacias, quedas, tropeços e recuperações. O intuito foi testar os limites do software de controle do robô e demonstrar como estratégias de movimento treinadas em simulação podem ser aplicadas em robôs reais.
No vídeo do teste, o Atlas percorre um espaço aberto com uma passada que se assemelha à humana. Em seguida, a demonstração ganha ritmo: o aparelho realiza uma estrela, movendo-se lateralmente com braços e pernas coordenados para manter o impulso, e logo após executa um salto mortal para trás. No ar, o robô dobra o corpo, gira e aterrissa cuidadosamente, absorvendo o impacto sem perder o equilíbrio, conforme relatado pelo Techeblog.
A gravação inclui ainda sequências em câmera lenta e momentos de tentativas falhas, mostrando diversas quedas e perdas de equilíbrio durante os testes. Em um desses momentos, o Atlas dá um passo inseguro, posiciona mal o pé e, antes de prosseguir, faz um ajuste sutil para manter a estabilidade.
Essas correções discretas evidenciam a sofisticação do sistema de controle, embora outras partes do vídeo revelem limitações do equipamento, como tropeços e a perda de uma cobertura do pé após um pouso mais agressivo.
O RAI Institute, anteriormente conhecido como The AI Institute, é liderado por Marc Raibert, fundador da Boston Dynamics, e desempenhou papel fundamental no desenvolvimento da chamada “IA física” que sustenta os movimentos recentes do Atlas. Segundo publicações no X e no YouTube, as manobras acrobáticas e a caminhada natural apresentadas são produzidas pela mesma estrutura de aprendizado, e não por sistemas distintos, conforme o Humanoids Daily.
De acordo com o RAI Institute, esses comportamentos são baseados numa abordagem de aprendizado de corpo inteiro, desenvolvida para permitir a transferência “zero-shot”, ou seja, as políticas de controle treinadas em simulação funcionam no hardware físico sem necessidade de ajustes adicionais. O objetivo é criar um sistema humanoide mais robusto e versátil, capaz de executar uma ampla variedade de movimentos e tarefas.
A cooperação entre o RAI Institute e a Boston Dynamics foi formalizada no início de 2025, com foco no avanço da robótica humanoide via aprendizado por reforço. Entre as metas estavam aprimorar a transferência de comportamentos ágeis da simulação para robôs reais, desenvolver habilidades de locomoção combinadas com manipulação de objetos, e criar estratégias coordenadas para tarefas dinâmicas envolvendo braços e pernas.
Essa parceria também baseia-se em trabalhos anteriores com aprendizado por reforço, incluindo o Spot Reinforcement Learning Researcher Kit, que possibilitou ao robô quadrúpede Spot alcançar velocidades recordes, segundo o Humanoids Daily.
Enquanto a versão de pesquisa do Atlas realiza acrobacias em demonstrações, o modelo destinado à produção está sendo preparado para uso industrial. Projetado para o ambiente corporativo, o novo Atlas possui 56 graus de liberdade e uma garra tátil com quatro dedos. O Hyundai Motor Group confirmou planos para implementar o robô na Hyundai Motor Group Metaplant America até 2028, inicialmente em tarefas de sequenciamento de peças, com a perspectiva de ampliar sua atuação para montagem completa de componentes até 2030.

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