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Sánchez absolve Marrocos pela crise migratória em Ceuta

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Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha, declarou nesta segunda-feira (31) que Marrocos não é responsável pela recente chegada em massa de migrantes no enclave de Ceuta, rejeitando ainda as informações falsas propagadas por grupos ligados à extrema direita internacional.

O líder socialista começa o novo ano político sob a pressão de suspeitas de corrupção envolvendo seus círculos próximos e familiares, com as eleições gerais se aproximando no próximo ano.

Há cerca de um mês, aproximadamente 70.000 migrantes atravessaram a fronteira entre Marrocos e Ceuta, atravessando a pé ou nadando, travessia esta que resultou em dezenas de mortes. Embora a maioria tenha retornado rapidamente, cerca de 5.000 permanecem no território, incluindo cerca de 1.200 menores desacompanhados, segundo Sánchez. Autoridades locais estimam o número em 10.000.

Sánchez ressaltou em entrevista à rádio Cadena Ser que não existem evidências, nem das forças de segurança nem do Centro Nacional de Inteligência, sobre envolvimento das autoridades marroquinas no incidente. A investigação continua.

Colaboração contínua

Alguns especialistas interpretam a crise como uma resposta de Marrocos à Espanha devido à questão do Saara Ocidental, território maioritariamente controlado pelo reino marroquino mas reivindicado pela Frente Polisário, apoiada pela Argélia, especialmente após uma visita de Sánchez a Argélia em julho.

Foi desmentida a informação falsa que circulou nas redes sociais alegando que migrantes que entrassem nadando em Ceuta não poderiam ser deportados para Marrocos, informação esta usada para criar confusão e disseminar desinformação.

Sánchez também anunciou a criação de 6.000 vagas para acolhimento dos migrantes no território, com verificações de situação antes de eventuais repatriações, além da disponibilização de recursos extras para lidar com a situação.

Crise e reações

O ambiente em Ceuta, com seus 18,5 km² e 80.000 habitantes, permanece tenso. Manifestantes têm denunciado problemas de segurança e saneamento, enquanto a oposição reclama da lentidão do governo central na gestão da crise.

Sánchez comentou que, após os dias 30 e 31 de julho, houve uma escalada de notícias falsas e desinformação nas redes, associadas a Rússia, Israel e grupos de extrema direita que exploram a migração para atacar a Espanha, a Europa e fomentar divisões entre os países.

Ao contrário de muitos países europeus, o governo de esquerda de Sánchez optou por adotar uma política migratória mais inclusiva, lançando um programa de regularização que beneficiará centenas de milhares de migrantes, em sua maioria vindos da América Latina.

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