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traficantes do dona marta vendiam drogas como ‘especiarias’ em rede social

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A Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) identificou que traficantes na comunidade do Dona Marta, localizada na Zona Sul do Rio de Janeiro, utilizavam uma plataforma digital para oferecer drogas de forma disfarçada, chamando-as de “especiarias”. Eles divulgavam local para retirada e promoções especiais aos clientes.

Na última terça-feira (23), a Polícia Civil deflagrou uma operação visando membros do Comando Vermelho (CV) na região, evento que gerou um confronto intenso desde as primeiras horas da manhã.

Em uma página no X, os criminosos mostravam fotos e vídeos, onde a maconha era nomeada como “especiarias”. Em uma das postagens recentes, datada de domingo (21), diziam: “Fumando as melhores especiarias nesse domingo frio. E vocês, o que estão fumando? Tem muita especiaria rolando, só chegar e conferir”, junto do endereço de um ponto de venda em Botafogo.

O perfil também anunciava descontos de fim de semana e os tipos de droga disponíveis para a venda, oferecendo skunk por R$ 10 a grama, além de maconha importada e ice. Em outro post, informavam: “Promoção de sábado a partir das 10h da manhã”.

Nas fotos dos produtos, as embalagens faziam referência a filmes e animes, exibindo ainda a sigla do Comando Vermelho e um selo dizendo “Melhor da Zona Sul”.

Operação pela manhã

A intervenção da DRE começou cedo e foi marcada por um tiroteio intenso na comunidade do Dona Marta, com o objetivo de capturar pessoas ligadas ao Comando Vermelho investigadas por tráfico local.

Um passageiro de ônibus que transitava pela Rua São Clemente, em Botafogo, foi ferido na perna devido aos disparos.

Além do passageiro, um grupo de pessoas que subiu ao Mirante Dona Marta para assistir ao nascer do sol ficou retido devido à troca de tiros. A ação contou com várias viaturas policiais na Rua São Clemente e apoio aéreo da Polícia Civil.

Disparos desde cedo

Testemunhas relataram que os tiros começaram nas primeiras horas do dia. Fontes confirmaram que mais de 20 viaturas da Polícia Civil estavam posicionadas na Praça Corumbá, em Botafogo, usada como base para a operação e distribuição das prisões.

Moradores descreveram uma sequência de tiros e explosões, além de helicópteros sobrevoando. “Foi muito tiro com bomba… uma loucura. Nunca escutei algo assim por aqui”, disse um morador. Outro comentou que “nunca viu tanta movimentação”.

A operação também causou congestionamento na Rua São Clemente durante a manhã.

Investigação de quase dois anos

Conforme a Polícia Civil, a ofensiva cumpriu mandados expedidos pela 26ª Vara Criminal da Capital, após uma investigação de aproximadamente 22 meses, que revelou uma organização dedicada ao tráfico dentro da comunidade, com dezenas de membros desempenhando diversas funções.

Foram apontados 44 suspeitos ligados ao grupo criminoso. A liderança seria exercida por Ronaldo Pinto Lima e Silva, conhecido como Ronaldinho Tabajara ou R9, atualmente preso em um presídio federal de segurança máxima em Mossoró (RN), enquanto Francisco Rafael Dias da Silva, o Mexicano, seria responsável pela gestão diária da facção na comunidade.

A ação teve como propósito cumprir ordens judiciais, desarticular a estrutura criminosa e recolher novas provas para o aumento das investigações. A Polícia Militar confirmou que não realizava operação própria na área.

Resumo da Operação Contenção

Segundo dados divulgados, a Operação Contenção já resultou na prisão de mais de 360 suspeitos e na morte de 137 em confrontos, além da apreensão de cerca de 480 armas, incluindo 190 fuzis, e mais de 51 mil munições.

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