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Tribunal israelense mantém prisão do ativista Thiago Ávila
Um tribunal israelense confirmou nesta quarta-feira (6) a extensão da prisão do ativista brasileiro Thiago Ávila e do espanhol-palestino Saif Abu Keshek até o domingo seguinte. Ambos foram detidos pelas forças israelenses durante a tentativa de um grupo de ativistas de chegar a Gaza por meio de uma flotilha.
Detidos na quinta-feira passada próximo à costa da ilha grega de Creta, Ávila e Abu Keshek foram transferidos para Israel para interrogatório, enquanto os outros participantes foram levados para uma ilha grega e liberados.
Na terça-feira, a detenção foi prorrogada para garantir mais tempo à polícia para os interrogatórios, decisão esta que teve recurso dos advogados rejeitado pelo tribunal de Beerseba. Segundo o advogado Hadeel Abu Salih, a corte manteve a decisão inicial apoiando a polícia e o Estado.
Na audiência desta quarta-feira, Thiago Ávila parecia calmo, mas Saif Abu Keshek demonstrava sinais visíveis de cansaço, sentando-se com as mãos cruzadas no colo.
A organização israelense Adalah, que representa os ativistas, considera a prisão ilegal e denuncia maus-tratos contínuos durante o período de detenção.
Os ativistas ainda não foram formalmente acusados, mas as autoridades israelenses os relacionam a um movimento palestino e à Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), grupo que os Estados Unidos classificam como atuante em nome de uma organização islamista clandestina.
A Adalah diz que eles enfrentam acusações de ajudar o inimigo em tempos de guerra, pertencer a uma organização terrorista e prestar serviços a ela.
O advogado Abu Salih afirmou que a prisão ocorreu ilegalmente em águas internacionais, com abordagem de um navio israelense sem autorização, caracterizando um sequestro.
Também manifestou preocupação com o precedente legal, que poderia permitir novas prisões ilegais e sequestro de estrangeiros pelas forças israelenses.
Segundo Adalah, os ativistas estão sob isolamento total, expostos a iluminação intensa 24 horas por dia, além de permanecerem vendados durante transferências e exames médicos.
As autoridades israelenses negam as alegações de maus-tratos.
Brasil, Espanha e a Organização das Nações Unidas (ONU) pedem a imediata liberação dos detidos. O porta-voz da ONU para direitos humanos, Thameen Al-Kheetan, solicitou a libertação “imediata e sem condições”.
A flotilha, composta por embarcações da França, Espanha e Itália, tinha a intenção de romper o bloqueio israelense a Gaza e levar ajuda humanitária ao território palestino, que enfrenta uma grave crise devido à guerra.
Israel mantém rígido controle sobre todos os acessos a Gaza, que está sob bloqueio desde 2007.

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