Conecte Conosco

Mundo

Trump envia representante para conversa de paz entre Netanyahu e Hamas

Publicado

em

Jared Kushner, representante dos Estados Unidos e genro do presidente Donald Trump, reuniu-se na segunda-feira (17) com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para discutir a possibilidade de os Estados Unidos monitorarem o desmonte das forças do grupo islamista Hamas, informou uma fonte israelense.

O encontro ocorreu enquanto Washington trabalha para diminuir as diferenças entre Israel e o Hamas sobre a aplicação do plano de paz proposto por Trump.

Kushner se encontrou com Netanyahu em Jerusalém logo após uma reunião incomum com representantes do Hamas no Egito, onde o grupo palestino assumiu publicamente seu compromisso com o plano de paz e com o desarmamento, o que foi elogiado por Trump, embora Israel tenha recebido com reservas.

Ambos concordaram que nenhuma reconstrução na Faixa de Gaza será permitida até que o Hamas entregue suas armas para serem desmontadas sob a supervisão de um oficial militar americano, declarou uma autoridade israelense ao AFP.

O plano inicial para desarmar Gaza consiste em solicitar ao Hamas a entrega de seu arsenal para que seja desmontado sob o controle de um general dos EUA, acrescentou a fonte.

Kushner estava acompanhado por membros do Conselho da Paz, criado por Trump para a região de Gaza, incluindo o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair. Até o momento, este grupo não se pronunciou sobre o encontro.

O governo dos EUA já tinha designado forças americanas e internacionais para supervisionar o cessar-fogo acordado em outubro na Faixa de Gaza, um acordo que diminuiu, mas não eliminou, os ataques israelenses ao território palestino.

Netanyahu solicitou que um general dos EUA tenha a responsabilidade de supervisionar a desmobilização do Hamas, rejeitando uma proposta anterior do Conselho da Paz, que sugeria que o Hamas entregasse suas armas a um comitê palestino ainda não estabelecido.

Durante a reunião no Egito com representantes do Hamas, Kushner enfatizou que o desarmamento total do Hamas era essencial e defendeu que o grupo não tenha participação no governo futuro de Gaza, segundo fontes próximas às negociações.

Uma alta autoridade do Hamas afirmou ter assegurado a Kushner o compromisso do grupo com o plano e o desejo de que Netanyahu se sinta pressionado a aceitar a proposta.

Discursos contundentes

Netanyahu, que enfrenta eleições difíceis em outubro, segundo pesquisas, tem mostrado crescente resistência a Trump, cujo apoio ele ressalta frequentemente na campanha.

O primeiro-ministro expressou insatisfação com a decisão de Trump de acabar com a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em fevereiro, optando por buscar acordo com os líderes de Teerã.

Depois de críticas iniciais moderadas ao plano para Gaza, Netanyahu informou seu gabinete na semana passada que rejeitava a iniciativa.

Ele manteve essa posição mesmo após Nickolay Mladenov, representante do Conselho da Paz para Gaza, garantir que Israel só precisará se retirar após o Hamas estar completamente desarmado. Inicialmente, o Conselho recomendava uma retirada gradual de Israel logo que o processo de desarmamento começasse.

Em entrevista, Itamar Ben Gvir, ministro de Segurança Nacional de linha dura no governo Netanyahu, defendeu execuções em Gaza.

“Acredito que execuções seletivas em Gaza deveriam ocorrer toda noite, eliminando 30 ou 40 pessoas”, declarou Ben Gvir em podcast com um ex-refém de Gaza.

“Não apenas aqueles que apresentam ameaça atualmente, mas pessoas que não deveriam estar vivas”, acrescentou. “Estou usando um eufemismo ao chamá-los de seres humanos.”

No domingo, oito países muçulmanos, incluindo Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, emitiram uma declaração conjunta condenando a rejeição israelense ao plano de paz para Gaza.

Hamas e Israel se acusam mutuamente de quebrar o cessar-fogo estabelecido em outubro de 2025, mediado pelos Estados Unidos, na região palestina.

Pelo menos 1.262 palestinos foram mortos em operações militares israelenses desde o início da trégua, conforme dados do Ministério da Saúde de Gaza, sob controle do Hamas. A ONU considera esses números confiáveis.

O Exército israelense registrou cinco mortos entre seus soldados no mesmo período.

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2026 - Todos os Direitos Reservados