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Trump sugere que Síria assuma liderança sobre Hezbollah
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (16) que recomendou a Israel permitir que a Síria enfrente o Hezbollah no Líbano. Ele também expressou sua insatisfação com o desempenho do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, neste conflito.
Durante um encontro em Evian, onde ocorre a cúpula G7, Trump destacou que Israel enfrenta o Hezbollah há muito tempo e que já houve muitas vítimas.
“Sugeri a Israel que deixe a Síria cuidar do Hezbollah e, para ser sincero, acredito que os sírios farão este trabalho de forma mais eficaz”, afirmou o presidente americano.
Além disso, Trump enfatizou que Netanyahu deve agir com mais responsabilidade em relação ao Líbano e expressou sua insatisfação com a forma como Israel tem tratado a questão do Hezbollah.
O conflito entre Israel e Hezbollah, uma milícia libanesa apoiada pelo Irã, recomeçou em 2 de março, no contexto de ações militares dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Um acordo para encerrar a guerra entre EUA e Irã está próximo, com discussão prevista para o dia 19 de junho na Suíça, mas questões pendentes relacionadas ao Líbano, como o desarmamento do Hezbollah, continuam.
Por anos, o governo Netanyahu prometeu eliminar o poderoso grupo xiita, sem sucesso, enquanto o Irã mantém seu apoio ao movimento, que considera uma parte fundamental de seu “eixo de resistência”.
Dentro deste quadro, durante a reunião do G7, Trump sugeriu que a Síria e seu líder interno, Ahmed al Sharaa — um ex-jihadista sunita — deveriam assumir a responsabilidade de lidar com o Hezbollah.
O republicano mencionou ter recebido Al Sharaa na Casa Branca em novembro e elogiou o trabalho realizado por ele desde que derrubou Bashar al-Assad no final de 2024, destacando que Assad era um aliado próximo do Hezbollah.
“Se Israel não consegue realizar essa tarefa sem causar muitas mortes, então o trabalho fica para Al Sharaa. A Síria deve assumir essa responsabilidade”, declarou.
Antes, em entrevista à NBC em 7 de junho, Trump já havia informado que o presidente sírio estava disposto a colaborar para enfraquecer o Hezbollah. De acordo com fontes diplomáticas, a Síria vem sofrendo pressão para isso desde a retomada do confronto entre Israel e Hezbollah em março.
Desde que assumiu o poder, Al Sharaa tenta distanciar a Síria do eixo iraniano, do qual fazia parte durante o regime de Assad. Ele pertence à comunidade alauíta, uma vertente do islamismo xiita.
Rumores sobre uma possível intervenção síria no Líbano foram tão frequentes que o próprio líder precisou negá-los numa reunião recente com mais de 70 autoridades locais da província de Damasco, segundo relatos de participantes da reunião.
O presidente sírio Hafez al-Assad, pai de Bashar al-Assad, planejou uma intervenção no Líbano durante a guerra civil de 1976 e manteve tropas no país por 30 anos, até serem forçadas a retirar-se em 2005.


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