Brasil
Unicef solicita aos candidatos mais medidas para evitar a violência infantil
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) cobrou dos candidatos à Presidência que incluam em seus programas eleitorais propostas mais eficazes para prevenir a violência contra crianças.
Unicef analisou as propostas de cinco candidatos e ressaltou a necessidade de ações direcionadas às vulnerabilidades específicas de diferentes grupos de crianças e adolescentes.
A maioria das propostas apresenta medidas para responder à violência, mas poucas priorizam sua prevenção.
Embora o Brasil tenha avançado em áreas sociais nas últimas décadas, a situação da violência contra crianças ainda é crítica.
Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do Unicef no Brasil, destacou: “Para proteger crianças e adolescentes, é fundamental agir antes que a violência aconteça, investindo em educação, oportunidades para jovens, assistência social, saúde, fortalecimento das famílias e sistemas que identifiquem situações de risco.”
Soluções sugeridas
O estudo do Unicef recomenda que os próximos governantes incluam o conceito de “parentalidade protetiva” nas políticas de primeira infância, cuidados, assistência social e combate à violência.
Isso inclui capacitar agentes públicos para orientar pais, mães e cuidadores a prevenir a violência e adotar práticas parentais positivas.
Além disso, é proposta a criação de uma Política Nacional de Prevenção da Violência contra Adolescentes, integrada por diferentes setores, como educação, trabalho, emprego e assistência social, para reduzir fatores de risco ligados à violência.
Contexto da violência
No ano passado, 2.079 crianças e adolescentes foram vítimas de mortes violentas no Brasil, o que representa cerca de seis por dia, sobretudo adolescentes negros do sexo masculino.
Segundo o Anuário de Segurança Pública, mais de 38 mil casos de maus-tratos domésticos a menores foram registrados em 2025, o dobro do ano anterior, além de 61 mil casos de estupro, em sua maioria cometidos por pessoas conhecidas das vítimas.
Desigualdades e vulnerabilidades
O Unicef criticou o fato de as propostas tratarem as crianças como um grupo homogêneo, sem considerar fatores como raça, etnia, gênero, deficiência ou localidade, que impactam a vulnerabilidade à violência.
Também destacou a falta de menção específica a crianças negras e indígenas, que enfrentam maiores riscos, e observou que meninas e crianças com deficiência são consideradas de forma limitada.
Abordagens dos candidatos
O levantamento do Unicef identificou 178 menções a crianças e adolescentes nas plataformas dos candidatos Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (NOVO) e Renan Santos (MISSÃO).
Os programas de Lula, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Flávio Bolsonaro abordam explicitamente o tema, enquanto Renan Santos não o menciona diretamente.
De modo geral, há maior foco em respostas à violência do que em sua prevenção, com os programas de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema voltados para punição e resposta, o de Ronaldo Caiado ressaltando a investigação e penalização, mas incluindo prevenção intersetorial, e o de Lula mais direcionado a ações preventivas contra a violência entre crianças e jovens.

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