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Venezuela avança em diálogo entre governo e oposição para transição

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O governo interino da Venezuela e representantes da oposição realizaram nesta quinta-feira, dia 6, em Caracas, o primeiro encontro oficial de diálogo, com o apoio dos Estados Unidos, na esperança de promover eleições e uma transição política. Esse processo teve início sete meses após a capturação do ex-ditador Nicolás Maduro durante uma operação dos EUA, e contou com a ausência de María Corina Machado, líder da oposição e vencedora do Nobel da Paz.

Apenas fotógrafos tiveram acesso ao Centro de Convenções da base militar de La Carlota, onde foram iniciadas as conversas. As partes expressaram compromisso com princípios de respeito à soberania nacional e negociação sincera, além de garantir a proteção dos direitos humanos e a inclusão de políticos de diferentes forças, conforme comunicado conjunto. Nas redes sociais, também reforçaram a busca por uma solução política, pacífica, democrática e constitucional.

As delegações organizaram a metodologia, as fases de trabalho e definiram a agenda das próximas discussões, previstas para ocorrer até o dia 12.

A mesa de negociações foi conduzida por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão da presidente interina, e por Dinorah Figuera, líder da bancada opositora que conquistou a maioria legislativa em 2015, resultado que Nicolás Maduro não reconheceu.

Garantidor

Os Estados Unidos celebraram o início do diálogo. “Essas conversas diretas são uma oportunidade única”, afirmou o Departamento de Estado em nota oficial.

O comunicado destaca que o plano do governo de Donald Trump para a Venezuela é dividido em três fases: estabilização, recuperação econômica e reconciliação política.

Ao chegar à Venezuela, vindo da Espanha, Dinorah destacou que o objetivo é promover mudanças no Tribunal Supremo de Justiça e no Conselho Nacional Eleitoral, além de garantir a recuperação dos direitos civis e políticos da população.

O diálogo tem gerado esperança entre membros da oposição e parentes de presos políticos.

O ativista Juan Pablo Guanipa, aliado próximo de María Corina, ressaltou nas redes sociais que “desta vez existe um garantidor para assegurar que o chavismo cumpra sua palavra”.

Moeda de troca

Observadores indicam que Washington impede o retorno de María Corina ao país, embora o governo dos Estados Unidos negue essa informação. Por sua vez, Donald Trump elogiou a atuação de Delcy Rodríguez e sugeriu que a Venezuela poderia vir a ser o 51º estado dos EUA.

Por outro lado, setores da esquerda venezuelana criticam a mudança radical do governo chavista após 25 anos de discursos anti-imperialistas, com protestos que incluíram a queima de bandeiras norte-americanas e gritos como “Nem colônia, nem tutela, a pátria não se entrega!” e “Gringo, go home!”.

Familiares de presos políticos solicitaram que Dinorah busque a libertação de seus parentes, ressaltando que “os presos políticos não são moeda de troca” e pedindo a liberação imediata de todos.

Mayra Morales, de 40 anos, junto a outras dezenas de pessoas, mantêm há 60 dias uma vigília em um acampamento próximo à embaixada dos Estados Unidos em Caracas, exigindo apoio do encarregado de negócios dos EUA, John Barrett, para a libertação dos familiares, mas ainda não foram recebidos pelo representante diplomático.

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