Centro-Oeste
Defesas apresentam argumentos no 5º dia do julgamento da maior chacina do DF
As defesas dos cinco acusados de cometerem a maior chacina na história do Distrito Federal, que resultou na morte de 10 pessoas da mesma família entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023, apresentaram seus argumentos no quinto dia do julgamento popular iniciado na manhã desta quinta-feira (17), no Fórum de Planaltina.
Esse momento marca a segunda etapa dos debates, onde os advogados de defesa falam em favor de seus clientes. Os réus Gideo Batista de Menezes, Carloman dos Santos Nogueira, Fabricio Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva enfrentam acusações graves como homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menores.
As vítimas eram 10 membros de uma mesma família: Marcos Antônio Lopes de Oliveira, 54 anos (patriarca); Renata Juliene Belchior, 52 (esposa de Marcos); Gabriela Belchior de Oliveira, 25 (filha do casal); Thiago Gabriel Belchior de Oliveira (filho do casal); Elizamar da Silva (esposa de Thiago); Rafael, 6 anos, Rafaela, 6, e Gabriel, 7 (filhos de Thiago e Elizamar); Cláudia Regina Marques (ex-mulher de Marcos), 39; e Ana Beatriz Marques de Oliveira (filha de Marcos e Cláudia). Os assassinatos tiveram motivação financeira.
Defesas apresentam seus argumentos
Karoline Arruda, advogada de Gideon, destacou o direito à defesa e criticou a condenação antecipada do réu pela opinião pública, afirmando que é preferível errar libertando um culpado do que prender um inocente.
O advogado de Horácio, Sandro Soares, contestou as principais provas apresentadas, especialmente as impressões digitais, que considerou falhas, ressaltando que cabe ao Ministério Público provar a culpa e afirmou que o delegado não conseguiu colocar seu cliente na cena do crime.
A defesa de Carloman afirmou que ele colaborou com as investigações, confessou os crimes e detalhou as ações de cada envolvido, conforme declarado pela advogada Daniella Visona. A advogada Rebeka Ketlen complementou dizendo que, apesar de ter matado Marcos, ele admitiu a participação para esclarecer os fatos.
Adriano Alves, advogado de Fabrício, afirmou que o réu participou apenas dos sequestros, não dos homicídios, e pediu sua absolvição quanto à acusação de mortes, alegando que ele não tinha poder de decisão e que o plano fugiu do controle.
O advogado Antônio Sardinha, representando Carlos Henrique, sustentou que seu cliente não cometeu homicídio, apenas roubo, e destacou a ausência de provas ligando-o diretamente às mortes. A advogada Vanessa Ramos pediu que o julgamento considerasse que Carlos Henrique ajudou no crime, mas sem saber da morte planejada.
Próximas fases do julgamento
O promotor de Justiça, Nathan da Silva, informou que o processo segue o rito previsto, com a defesa apresentando suas teses e, em seguida, a votação dos quesitos pelos jurados terá início. São cerca de 500 quesitos que, segundo ele, poderão prolongar a votação até domingo, quando espera-se a conclusão da leitura da sentença.
Se condenados, os réus podem cumprir penas que somam entre 211 e 385 anos de prisão conforme o Código de Processo Penal.
Nathan da Silva afirmou confiar no trabalho do Ministério Público, destacando a apresentação clara e detalhada das provas aos jurados, e acredita que as teses apresentadas serão acolhidas, dado o conjunto de evidências apresentadas no processo.

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