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Violência em maio: impacto em SP, diz professor

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Era uma sexta-feira, 12 de maio, véspera do Dia das Mães, há 20 anos, quando diversos motins começaram nos presídios de São Paulo.

Na véspera, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) transferiu 765 detentos para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, unidade de segurança máxima no interior paulista. Entre eles estava Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo o jornalista e professor Bruno Paes Manso, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP, essa transferência provocou os ataques dos presos.

A rebelião começou em 74 penitenciárias, espalhando-se às ruas com ataques a viaturas, delegacias, prédios públicos e policiais por parte do PCC.

A produtora cultural Mônica Trindade Carneiro, grávida na época, lembra a tensão ao tentar ir para a maternidade na Avenida Paulista. O táxi que conseguiu pegar foi parado numa base policial cercada por agentes armados, assustados pelo clima de perigo.

Os ataques continuaram até o domingo, Dia das Mães, com dezenas de policiais mortos — um evento sem precedentes que chocou a população, segundo Bruno Paes Manso.

Estudos indicam que a causa não foi só a transferência dos presos, mas também corrupção, falhas policias e descaso no sistema prisional.

Retaliação e mortes

Na segunda-feira seguinte, começou a retaliação por agentes do Estado e grupos paramilitares. Supermercados, universidades e transporte público pararam, enquanto o medo fez as ruas de São Paulo esvaziarem.

Conforme o pesquisador, mais de 500 pessoas morreram nos nove dias de ataques, muitos em execuções sumárias.

O defensor público Antonio José Maffezoli Leite comenta que os agentes do Estado e grupos à paisana (com indícios de policiais militares) foram responsáveis por execuções.

O saldo total foi de 564 mortos e 110 feridos entre 12 e 21 de maio, com indícios de execuções envolvendo policiais em 122 casos.

Massacre e impunidade

Para o advogado Gabriel de Carvalho Sampaio, da organização Conectas Direitos Humanos, os Crimes de Maio representaram um massacre e uma grave violação de direitos.

Relatórios indicam que as vítimas, em maioria jovens homens negros ou pardos, foram mortas com tiros na cabeça e nas costas, muitas vezes sem direito à defesa.

A violência estatal foi marcada por execuções sumárias e desaparecimentos forçados, sem responsabilização adequada das autoridades.

O ouvidor das Polícias, Mauro Caseri, ressalta que 95% dos inquéritos contra policiais autores de disparos são arquivados, evidenciando uma investigação seletiva e falha.

Segundo Gabriel Sampaio, a Constituição exige legalidade e justiça, mas o Estado reagiu com execuções ilegais e descaso pela justiça.

Fim dos ataques e mudanças

O fim dos ataques veio após uma reunião fechada entre o governo e Marcola. O governo da época negou acordo, mas confirmou o encontro com a advogada do líder do PCC.

A partir daí, o PCC mudou sua estratégia, evitando confrontos diretos e expandindo seus negócios para o tráfico internacional, investindo no sistema financeiro e político.

A Secretaria de Administração Penitenciária relatou melhorias no sistema prisional, como ampliação de vagas, isolamento de líderes e uso de técnicas não letais pelo Grupo de Intervenção Rápida.

A Secretaria de Segurança Pública reforçou que todas as mortes foram investigadas com apoio do Ministério Público e Judiciário, punindo excessos e investindo em tecnologias para reduzir a letalidade policial.

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