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Starmer quer continuar no cargo em meio a pressão para renunciar

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O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, enfrenta desafios dentro do próprio Partido Trabalhista, onde crescem pedidos de sua renúncia. Nesta terça-feira (12), ele declarou que deseja prosseguir no comando do governo, conforme comunicado oficial de Downing Street.

A saída da secretária de Estado de Habitação, Comunidades e Administração Local, Miatta Fahnbulleh, no mesmo dia, intensificou as cobranças para que Starmer deixe o posto. Ela foi a primeira autoridade de destaque a abandonar o governo após a derrota significativa nas eleições locais e regionais da última quinta-feira.

De acordo com Starmer, o Partido Trabalhista possui um processo formal para destituir seu líder, que ainda não foi iniciado. Ele afirmou à sua equipe ministerial que o país anseia pela continuidade do governo e que é essa a direção que deve ser seguida pelo gabinete.

Miatta Fahnbulleh usou a rede social X para pedir ao premiê que tome uma decisão responsável pelo país e pelo partido, sugerindo a criação de um cronograma para uma transição organizada.

Mais de 70 deputados trabalhistas, de um total de 403, solicitaram a renúncia de Keir Starmer.

Nas eleições locais de 7 de maio, o Partido Trabalhista, que assumiu o poder em 4 de julho de 2024 após 14 anos de governo conservador, perdeu quase 1.500 cargos de vereador, enquanto o partido Reform UK, com plataforma anti-imigração, teve crescimento expressivo.

Desde que entrou no cargo, a popularidade de Starmer, 63 anos, tem caído progressivamente diante de uma economia estagnada e do aumento do custo de vida, agravados pela recente guerra no Oriente Médio.

Além disso, o primeiro-ministro se viu envolvido em um escândalo na nomeação e demissão do ex-ministro Peter Mandelson como embaixador do Reino Unido em Washington, depois que ligações dele com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein vieram à tona.

Quem deseja a saída de Starmer?

Várias figuras importantes do governo trabalhista pediram a renúncia de Starmer, como a ministra do Interior, Shabana Mahmood.

O regulamento do Partido Trabalhista para desafiar o líder exige que o candidato declare formalmente sua intenção e obtenha apoio de pelo menos 81 deputados, o equivalente a 20% do grupo parlamentar.

Entre os apoiadores discretos de Starmer estão o vice-primeiro-ministro e ministro da Justiça, David Lammy, e o ministro do Comércio, Jonathan Reynolds, segundo a Sky News. Por outro lado, o ministro do Trabalho, Pat McFadden, encorajou o premiê a persistir em sua luta.

O ambiente de incerteza política tem consequências diretas, como o aumento das taxas de juros da dívida pública, que atingiram recorde de 5,797% nesta terça-feira, retomando níveis não observados desde 1998.

Muitos membros trabalhistas querem evitar situação semelhante a 2022, quando os conservadores tiveram três primeiros-ministros em quatro meses.

A insatisfação interna cresceu após as eleições locais recentes, nas quais Starmer perdeu votos para o Reform UK, inclusive em regiões tradicionalmente trabalhistas, como o norte da Inglaterra e o País de Gales. O partido Verde, de orientação mais à esquerda, também conquistou eleitores trabalhistas em Londres.

Essa crise surge no momento em que o rei Charles III está prestes a apresentar o programa legislativo para o próximo ano.

Possíveis sucessores

A saída de Starmer não resultaria em novas eleições legislativas, mas sim na substituição dele por outro membro do Partido Trabalhista.

Na mídia, nomes como o do atual ministro da Saúde, Wes Streeting, 43 anos, são mencionados como potenciais candidatos, já que é membro do Parlamento — requisito para se tornar primeiro-ministro.

Outro candidato forte é Andy Burnham, 56 anos, prefeito da Grande Manchester e considerado o trabalhista mais popular conforme pesquisas, embora não possa se candidatar por não ser membro do Parlamento.

Para que Burnham concorra, seria necessário realizar eleições em um distrito trabalhista, o que demandaria meses e a renúncia de um parlamentar para abrir uma vaga.

O nome da ex-vice-primeira-ministra Angela Rayner, 46 anos, também é frequentemente citado pela imprensa como possível sucessora.

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