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Economia

Mineração de Criptomoedas no Complexo do Lins: Entenda a Investigação

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A Polícia Civil está realizando nesta sexta-feira (22) uma nova etapa da Operação Contenção no Complexo do Lins, localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro, com o objetivo de capturar traficantes ligados ao Comando Vermelho (CV) que mantêm controle armado da área, além de estarem envolvidos em diversos crimes.

Durante a operação, foi descoberta uma central de mineração de criptomoedas instalada dentro de um mercado. O local possuía inúmeros computadores destinados à mineração de bitcoins e outras moedas digitais, utilizando ligações elétricas improvisadas.

Até o momento, oito indivíduos foram detidos. O centro de mineração era equipado com múltiplos computadores responsáveis pelo processamento e validação das transações de criptomoedas.

O que são criptomoedas?

Criptomoedas existem apenas no meio virtual; não há versões físicas como moedas ou cédulas. Elas foram desenvolvidas como uma alternativa ao dinheiro convencional, que é controlado por instituições oficiais e financeiras.

Neste sistema descentralizado, o controle é distribuído entre todos os computadores conectados ao sistema.

Existem atualmente mais de 16.500 criptomoedas, sendo as mais conhecidas bitcoin, ethereum, litecoin e ripple. Seus valores são determinados pela oferta e demanda.

Como funciona a mineração?

Este tipo de operação consome uma grande quantidade de energia elétrica. No local apreendido, todos os dispositivos estavam conectados a uma rede elétrica criada de forma improvisada.

Os equipamentos, chamados de “mineradoras”, validam e registram cada transação realizada com criptomoedas.

Como essa rede é distribuída, nenhuma autoridade ou governo pode interferir, garantindo que, enquanto houver computadores conectados, a rede funcione sem interrupções.

A mineração de bitcoins possui dois propósitos principais: gerar novas moedas e assegurar uma distribuição justa, além de confirmar e registrar transações em um registro digital chamado blockchain.

A criação de novos bitcoins depende da resolução de complexos problemas matemáticos por supercomputadores em frações de segundo, conectados por uma rede paralela à internet.

A cada dez minutos, novos desafios são apresentados para estes computadores, e quem os resolver primeiro recebe uma recompensa em bitcoins, atualmente um lote de 6,25 moedas.

O resultado dessas soluções, conhecido como hash ou prova de trabalho, organiza as transações no blockchain e confere características que impedem fraudes e ataques maliciosos.

Esse processo garante a continuidade da geração das criptomoedas e também faz com que os mineradores recebam taxas pagas pelos usuários que efetuam as validações.

A mineração ocorre ininterruptamente, 24 horas por dia, o que resulta em um alto consumo energético devido à necessidade de manter os supercomputadores em funcionamento constante.

De acordo com a Universidade de Cambridge, o consumo anual de energia para mineração virtual alcança 113 TeraWatts/hora (TW/h).

Ação contra grupo criminoso

Entre os alvos da operação está o traficante Emanuel dos Santos Carvalho, conhecido como Mata Rindo.

Além de combater o tráfico, mandados também estão sendo cumpridos contra membros de uma quadrilha especializada em golpes através de “falsa central telefônica”.

A ação é resultado de investigações conduzidas pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) e pela 26ª DP (Todos os Santos), com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e de outras equipes policiais.

Segundo a Draco, o grupo criminoso está bem estruturado e atua em tráfico de drogas, roubos de veículos, assaltos e ataques a bancos.

Eles mantinham vigilância armada nos acessos à comunidade, monitorando em tempo real a movimentação das forças de segurança e repassando informações sobre deslocamentos policiais.

Também utilizavam grupos de comunicação restritos para passar ordens, alertas e coordenar ações relacionadas ao tráfico e à atuação armada.

A polícia identificou suspeitos envolvidos em roubos de veículos e celulares, extorsão e outras práticas violentas que serviam para fortalecer a facção no Complexo do Lins.

Inteligência policial aponta para uma alta organização interna, com divisão de tarefas e atuação constante para impor medo à população, assegurar o domínio territorial e dificultar a atuação policial.

Além disso, a 26ª DP identificou integrantes envolvidos em uma fraude financeira que usava uma falsa central telefônica para enganar as vítimas, fazendo-se passar por funcionários de segurança bancária.

Os criminosos criavam situações falsas de urgência para que as vítimas entrassem em contato com uma central clandestina, permitindo que os golpistas tomassem controle de contas bancárias e aplicativos, realizando transferências fraudulentas.

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