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Quem é Marcinho VP, líder máximo do CV mesmo após 19 anos preso

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A organização do Comando Vermelho ultrapassou os limites do estado onde começou e hoje é um problema de segurança em todo o país. Após se expandir para 25 estados e o Distrito Federal, essa facção continua crescendo, funcionando como um sistema de franquias e alterando a realidade de muitas cidades, que antes tinham poucos territórios dominados.

Por trás dessas operações, há uma cadeia de comando que inclui funções que vão desde a comunicação — advogados que transmitem informações entre traficantes — até os presidentes de conselho, que decidem os rumos do grupo. Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, é considerado pela polícia a liderança máxima do Comando Vermelho. Mesmo encarcerado em uma prisão federal de segurança máxima há 19 anos, ele continua sendo apontado como o chefe da facção.

Apesar do longo tempo na prisão, investigações policiais no Rio mostram que ele mantém o controle da facção via intermediários, como advogados e familiares.

Segundo os policiais, Marcinho VP utiliza esses contatos para passar ordens para os líderes nas ruas e também nos presídios estaduais. Ele controla a hierarquia do grupo mesmo atrás das grades, decidindo quem assume o comando das comunidades, quem é rebaixado e como os recursos financeiros são distribuídos, entre outras decisões.

Operação contra lavagem de dinheiro na família

No último mês, Marcinho VP foi alvo de uma ação da Polícia Civil que investigava o lado financeiro do Comando Vermelho. Durante a apuração, os policiais encontraram uma série de propriedades suspeitas ligadas à família do traficante, incluindo duas fazendas e uma mansão avaliada em aproximadamente R$ 10 milhões.

A polícia informou que as provas do inquérito indicam que Marcinho continua sendo o chefe da facção e que ele coordena e administra a lavagem de dinheiro do grupo criminoso. A investigação durou cerca de um ano, baseada na análise de dados retirados de aparelhos eletrônicos apreendidos. As conversas reforçam a influência de Marcinho VP como figura central da organização, mesmo cumprindo pena na prisão federal de Campo Grande (MS).

Desde 2007, Marcinho está em unidades federais. Ele já passou mais tempo preso do que em liberdade, tendo sido detido em 1996, há 30 anos.

Enquanto esteve à frente do Complexo do Alemão, Marcinho era visto como um líder frio, conhecido pelas demonstrações constantes de força e crueldade. Em 1994, após uma divisão no CV, ele liderou o chamado Comando Vermelho Jovem, uma dissidência surgida após a morte do antigo chefe da facção, Orlando Jogador, traído por seu braço direito.

Posição da defesa

A defesa de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, afirmou que todas as visitas feitas com advogados e familiares são gravadas e monitoradas em tempo real pela administração da penitenciária e pelo setor de inteligência do SENAPEN.

“As correspondências seguem rigoroso controle. Para que fosse verdade que ele mantém comunicação ilícita, seria necessário que agentes federais, diretores de presídios e autoridades do Ministério da Justiça estivessem cometendo crimes como prevaricação ou formação de organização criminosa. O uso do nome dele como instrumento político por quem não está comprometido com a verdade e o devido processo legal, usando o direito penal do inimigo como moeda de troca nas eleições de outubro, é uma repetição de uma tática cruel que mantém Marcinho como preso político há três décadas. A defesa está confiante de que, mais uma vez, provará sua inocência.”

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