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EUA restringem autonomia do Brasil ao classificar facções como terroristas

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A decisão do governo dos Estados Unidos (EUA) de rotular facções criminosas brasileiras como terroristas reflete a nova doutrina do governo Donald Trump para a América Latina, que impõe uma ‘soberania limitada’ aos países da região. Essa análise é compartilhada por especialistas em geopolítica, economia e relações internacionais consultados pela Agência Brasil.

Especialistas acreditam que essa medida busca subordinar as decisões do Brasil aos interesses dos EUA, podendo justificar intervenções políticas no país.

Paulo Borba Casella, professor de relações internacionais da Universidade de São Paulo (USP), observa que, com essa classificação, o governo de Trump pode tomar ações similares às adotadas contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, detidos em Caracas em 3 de janeiro.

Ele explica que o enquadramento como organização terrorista permite que o governo americano ataque agentes dessas entidades sem precisar declarar guerra ou obter autorização do Congresso dos EUA.

Francisco Carlos Teixeira da Silva, cientista político e especialista em relações internacionais, argumenta que essa decisão integra a ‘doutrina da soberania limitada’ aprofundada pelo governo Trump.

Segundo ele, os EUA consideram que os países da América Latina têm sua soberania condicionada aos interesses americanos e podem intervir sempre que julgarem necessário, conforme seus próprios critérios.

Em novembro de 2025, o governo Trump divulgou sua nova Estratégia Nacional de Segurança Nacional, que enfatiza a ‘proeminência’ dos EUA sobre a América Latina.

Francisco Carlos Teixeira da Silva aponta que o objetivo dessa política é fragilizar a independência dos países latino-americanos e assegurar a liderança dos Estados Unidos na região.

Especialistas em geopolítica ressaltam que essa postura mais agressiva na política externa dos EUA responde à crescente influência econômica e tecnológica da China, representando uma disputa para manter o controle da economia mundial.

Soberania do México comprometida

Além dos exemplos da Venezuela e Cuba, Teixeira cita o México, onde facções como o cartel de Jalisco também foram classificadas como terroristas.

Logo após essa classificação, os EUA enviaram agentes da CIA ao México sem autorização, o que gerou tensão entre os governos.

A morte de dois agentes da CIA em um acidente no México, em abril, irritou o governo da Cidade do México, pois a ação não fora comunicada nem autorizada pelo governo central.

Políticas internas sob influência dos EUA

Luiz Carlos Prado, professor de economia internacional da UFRJ, afirma que a decisão do governo Trump, com apoio de grupos políticos no Brasil, visa impor uma soberania limitada ao Brasil.

Para Prado, isso significa que o Brasil não terá plena autonomia diplomática nem políticas independentes baseadas em seus interesses internos, tornando-se um aliado subordinado aos EUA.

Ele alerta que a designação de facções como terroristas pode ser utilizada para acusar outros grupos internos brasileiros, incluindo movimentos sociais, de apoiarem o terrorismo, mesmo sem evidências.

Os EUA poderiam usar esse argumento para justificar repressões seletivas a determinados segmentos da sociedade brasileira.

Luiz Carlos Prado lembra que os EUA tradicionalmente têm dificuldades em reconhecer a soberania de outros países e frequentemente desrespeitam tratados internacionais.

Essa decisão ampliaria a margem de pressão e intervenção dos EUA sobre o Brasil, utilizando argumentos que não necessitam ser comprovados para justificar intervenções políticas.

Como exemplo, Prado cita os ataques dos EUA ao Líbano e à Síria, que são justificados com base na alegação de combate a organizações terroristas, oferecendo uma justificativa legal para intervenções políticas.

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