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Economia

Preço do ouro alto faz relógios de luxo serem derretidos pelo valor do metal

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Com o preço do ouro chegando perto das maiores cotações da história, alguns relógios de luxo estão sendo destruídos para recuperar o valor do metal, que supera o preço de revenda de certos modelos. Conforme relatado pela Reuters, marcas como Omega e TAG Heuer, que fazem parte da LVMH, estão entre as mais impactadas.

As tensões geopolíticas e comerciais têm levado investidores a procurar metais preciosos como proteção, fazendo o ouro alcançar o pico de US$ 5.600 por onça em janeiro. Atualmente, ele é negociado por volta de US$ 4.200 por onça, quase o dobro do valor médio de 2024.

O negociante britânico Jon White, da Gold Traders, disse em entrevista à Reuters que já derreteu dezenas de relógios de luxo neste ano. Um exemplo foi um Constellation da Omega. Para White, o ouro presente nesta peça valia US$ 7.749, cerca de 35% mais do que o valor estimado em leilão.

Esse fenômeno atinge sobretudo relógios usados mais recentes e modelos antigos que não têm muito apelo entre colecionadores. Segundo especialistas consultados pela Reuters, peças de marcas como Patek Philippe e Rolex costumam ser mais valiosas que o ouro que possuem, devido ao controle estrito da produção e alta procura.

Por outro lado, marcas como TAG Heuer, Breitling e Omega enfrentam maior dificuldade para manter preços altos, pois versões usadas de seus relógios podem ser adquiridas por valores mais acessíveis, tornando o derretimento para extrair ouro uma opção.

Embora não existam dados oficiais a respeito da quantidade de relógios de luxo que estão sendo derretidos, o Conselho Mundial do Ouro informa que a reciclagem desse metal cresceu 5% no primeiro trimestre, chegando a 366 toneladas. Nesse período, a demanda por joias de ouro teve alta de 31% em valor, totalizando US$ 47 bilhões, conforme a Reuters.

Com projeções que indicam o ouro podendo alcançar de US$ 5.400 a US$ 6.300 por onça ainda este ano, o processo de derretimento deve continuar. Isso porque os vendedores precisam cobrir custos operacionais e fornecer garantias aos clientes. Até relógios novos que sobraram em estoque podem ser descartados para reaproveitamento do metal.

As empresas Swatch e Rolex optaram por não comentar o tema quando procuradas pela Reuters. Já LVMH, Richemont, Patek Philippe e Audemars Piguet não responderam às solicitações de posicionamento.

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