Brasil
Estado brasileiro vai indenizar vítimas da Chacina de Acari
A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados aprovou um projeto que reconhece a responsabilidade do Estado brasileiro pelos desaparecimentos forçados durante a Chacina de Acari, no Rio de Janeiro em 1990.
A medida prevê indenização financeira e a preservação da memória das vítimas.
Em julho de 1990, 11 pessoas, a maioria adolescentes da comunidade de Acari, foram sequestradas por homens mascarados e assassinadas em Magé, na região metropolitana do Rio. As investigações indicaram que os responsáveis eram policiais militares ligados a um grupo de extermínio. Os corpos nunca foram localizados.
Ana Maria da Silva Braga, mãe de uma das vítimas, participou da leitura pública da sentença contra o Estado brasileiro divulgada pela Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Homenagem às mães de Acari
O projeto ordena também a inclusão do grupo conhecido como Mães de Acari no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, em Brasília.
Lideradas por Edméia da Silva Euzébio, Vera Lúcia Flores Leite e Marilene Lima de Souza, essas mães formaram um movimento que enfrentou ameaças e preconceitos para buscar justiça e a localização dos corpos de seus filhos.
O grupo já foi recebido por autoridades internacionais, tornando-se um símbolo na luta por reparação no Brasil.
Benefícios para os familiares
Os parentes das 11 vítimas terão direito a uma pensão vitalícia no valor de um salário mínimo, financiada pelo programa orçamentário voltado a indenizações de responsabilidade da União.
A prioridade será para os ascendentes, especialmente as mães, seguidos de descendentes e irmãos.
Detalhes do projeto
O substitutivo apresentado pelo deputado Reimont ajusta o texto para compatibilizar com a legislação vigente e institui o Dia Nacional das Vítimas de Desaparecimentos Forçados em 26 de julho, data do sequestro.
O projeto busca encerrar simbolicamente a história da Chacina de Acari sob a perspectiva dos direitos humanos, mesmo após décadas.
Está em consonância com a condenação do Brasil pela Corte Interamericana de Direitos Humanos em 2024 e com a lei estadual do Rio que também prevê indenizações.
A proposta ainda precisa ser analisada pela Comissão de Constituição e Justiça, Câmara e Senado para se tornar lei.


Você precisa estar logado para postar um comentário Login