Brasil
Falhas de pilotos, Voepass e Anac causam acidente com 62 mortes
Um relatório inicial do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) revela que a queda do avião da Voepass em 2024 ocorreu devido a uma combinação de erros dos pilotos, falhas da empresa e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A existência deste documento sobre as causas do desastre que vitimou 62 pessoas foi divulgada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estadão. O relatório final consolidado ainda está em elaboração pelo Cenipa e deve ser apresentado primeiro às famílias das vítimas.
Segundo apuração do Estadão, a versão definitiva provavelmente será atualizada em comparação com a versão preliminar enviada a órgãos de países responsáveis pelos componentes da aeronave.
O relatório inicial aponta que a companhia ignorou problemas de segurança, apresentando uma estrutura organizacional deficiente que tolerava irregularidades e desconsiderava alertas, como falhas no sistema de degelo identificadas em voos anteriores.
O documento também destaca uma distração dos pilotos durante o voo que saiu de Cascavel, no Paraná, com destino a Guarulhos, São Paulo, no dia 9 de agosto de 2024. Conversas informais durante procedimentos críticos representaram um grande risco à segurança do voo.
Sobre a Anac, o relatório indica que a agência não conseguiu implementar medidas que reduziriam os perigos, mesmo após fiscalizações terem apontado ausência de padrões técnicos específicos na manutenção das aeronaves da Voepass.
Procuradas, a Anac e a Voepass não comentaram os dados ao Estadão. A empresa respondeu à Folha que não faria comentários sobre as observações e que continua colaborando de forma transparente e diligente com as autoridades. A Anac afirmou que só se manifestará após o recebimento oficial do relatório final.
O relatório do Cenipa não define as responsabilidades das pessoas envolvidas no voo. Paralelamente, um inquérito da Polícia Federal está perto de conclusão.
Espera-se que sejam responsabilizadas pessoas que, embora não estivessem a bordo, tinham influência sobre a manutenção do avião em operação. Após o acidente, a Voepass teve seu certificado de operador aéreo revogado pela Anac.
Detalhes do acidente em 2024
No começo da tarde de 9 de agosto de 2024, o avião ATR-72-500 da Voepass caiu em Vinhedo, interior de São Paulo, causando a morte de 62 pessoas. A aeronave partiu de Cascavel, Paraná. Os quatro tripulantes e 58 passageiros morreram no impacto contra o quintal de uma residência em condomínio, com alguns corpos carbonizados.
A aeronave perdeu 13 mil pés (aprox. 4.000 metros) em apenas dois minutos. O registro do Flight Radar indicou que o avião estava a 17 mil pés às 13h20 e caiu para 4.000 pés (1,22 km) às 13h22, momento em que o sinal de GPS foi perdido. O impacto aconteceu cerca de 20 minutos antes do pouso previsto, atingindo casas no condomínio.
O piloto Danilo Santos Romano relatou falha no sistema de degelo da aeronave. Essa informação consta em relatório preliminar do Cenipa divulgado em 6 de setembro daquele ano.
Também foram registrados alertas de baixa velocidade de cruzeiro (Cruise Speed Low) e desempenho reduzido (Degraded Performance) — sinais de que o avião enfrentava condições que comprometiam sua capacidade de voo devido ao acúmulo de gelo, o que prejudica a sustentação da aeronave.

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