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União-PP pode optar por neutralidade nas eleições e enfraquecer apoio a Flávio Bolsonaro

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A federação União Progressista está considerando adotar uma postura neutra nas eleições nacionais, o que pode ser um golpe político para o pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, na disputa contra o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, para o Palácio do Planalto.

Entre os motivos dessa decisão, parlamentares do União Brasil e do PP apontam o recente impacto negativo causado pela ação da Polícia Federal que resultou na prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), candidato ao Senado com o apoio de Flávio Bolsonaro.

A detenção de Canella levou o PL do Rio de Janeiro a considerar substituir seu nome pelo do deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) na disputa eleitoral, fato que desagradou a liderança do União Brasil.

Líderes da federação defendem que a neutralidade nacional facilitaria acordos estaduais e garantiria autonomia para candidatos ao Congresso. Por exemplo, em 7 de agosto, o governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), anunciou sua pré-candidatura ao governo estadual sem mencionar o filho do presidente Bolsonaro.

No Rio de Janeiro, políticos veem na neutralidade uma chance de alinhar-se com o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que disputa o governo local e apoia o petista. Situação semelhante ocorre na Bahia, onde o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, decidiu se aproximar do pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado.

Um parlamentar da federação destacou que a prisão de Canella também gera dúvidas para o presidente do União Brasil, o pernambucano Antonio Rueda, que pretende concorrer a deputado federal pelo estado. Sua campanha dependia dos votos na Baixada Fluminense relacionados à popularidade de Canella.

Por sua vez, o PP manifesta insatisfação pela ausência de apoio de Flávio Bolsonaro ao presidente do partido, Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil e investigado da Polícia Federal no caso Banco Master.

Conforme noticiado pelo Estadão, a PF encontrou nos dispositivos de Daniel Vorcaro diálogos e ordens de pagamento para um indivíduo chamado Ciro, sem sobrenome, sendo este identificado como Ciro Nogueira. Embora o senador tenha afirmado conhecer Vorcaro, negou aproximação e recebimento de valores.

A PF indicou que o senador recebeu propinas do banqueiro, influenciando seu mandato parlamentar para beneficiá-lo no Congresso Nacional.

Integrantes do PP afirmam que poderão rever a neutralidade nacional caso seja oferecida a vice-presidência ao partido. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) figura como uma possível candidata para a vaga, mas Flávio Bolsonaro ainda não tomou uma decisão final.

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