Conecte Conosco

Mundo

Curdos anunciam fim da integração com o governo sírio

Publicado

em

Mazlum Abdi, líder curdo das Forças Democráticas Sírias (FDS), declarou nesta quinta-feira que a integração com o governo do Estado sírio foi finalizada, após quase oito meses de negociações.

Os curdos, com apoio dos Estados Unidos, criaram um governo autônomo com instituições civis e militares no norte e nordeste da Síria durante a guerra civil que começou em 2011. Durante o conflito, foram fundamentais na luta contra o Estado Islâmico (EI), derrotado em 2019.

Abdi afirmou em evento na cidade de Qamishli que a integração está concluída e que uma nova etapa se inicia.

“Nossa luta continuará para que os direitos legítimos do nosso povo sejam reconhecidos na Constituição”, disse Abdi. O Parlamento sírio deverá preparar essa Constituição antes do término do período de transição, previsto para cinco anos.

O acordo de janeiro com o novo governo sírio, estabelecido após pressão de milícias rebeldes islâmicas que derrubaram Bashar al-Assad, colocou fim ao antigo desejo de autonomia curda.

O anúncio de hoje vem após meses de diálogos entre curdos e o governo central sírio, que recebeu apoio dos Estados Unidos para o presidente Ahmed al-Sharaa, um ex-jihadista que tenta ser uma figura unificadora em um país dividido após quase 14 anos de guerra civil.

Após confrontos entre combatentes curdos e o exército sírio que forçaram os curdos a deixarem várias áreas sob seu controle, o acordo de integração foi formalizado este ano.

Sharaa reconheceu oficialmente o idioma curdo como uma língua nacional e nomeou curdos para cargos importantes, incluindo Nour Eddine Ahmad Issa como governador de Hasake e Siban Hamo como adjunto do ministro da Defesa para a região oriental.

As forças governamentais passaram a controlar cidades como Hasake e Qamishli, o aeroporto da última e áreas estratégicas de petróleo.

Com a chegada de Ahmed al-Sharaa, Washington tornou-se um apoio fundamental ao novo presidente e seus esforços para unificar o país.

Desde o início do conflito, as forças curdas perderam muitos combatentes árabes que os apoiavam, e o efetivo das FDS caiu de 100 mil para cerca de 50 mil, conforme análise do especialista Fabrice Balanche.

Antes da guerra, os curdos, que são cerca de 15% da população síria, sofreram perseguição e restrições durante décadas, incluindo proibição de ensino do idioma, celebração de tradições e perda de nacionalidade para muitos.

Segundo o especialista Mutlu Civiroglu, a dissolução das FDS representa um fim difícil para o poder curdo na Síria. Essas forças treinadas poderiam ter sido um modelo dentro do novo Estado, mas agora simbolizam o encerramento de um capítulo para a influência curda no país.

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2026 - Todos os Direitos Reservados