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Energia solar na China ameaça aves, revela estudo
A expansão da energia solar no mundo pode estar causando impactos negativos na biodiversidade, segundo um estudo recente focado na China, publicado na revista Science em 20 de junho de 2024.
Com base em dados de mais de 2.300 condados chineses, a pesquisa identificou que as políticas para o desenvolvimento da energia solar levaram à diminuição da variedade de aves, devido à rápida destruição de áreas de cultivo e pastagens para a instalação de painéis solares.
Os autores chamam essa situação de “dilema verde”, pois mostra o conflito entre reduzir as emissões de carbono e proteger a natureza.
Huiming Zhang, da Universidade de Ciência e Tecnologia da Informação de Nanjing e principal autor do estudo, explicou à AFP que a mensagem central é não desacelerar a adoção das energias renováveis, mas sim garantir que o crescimento da energia solar seja feito com responsabilidade ambiental.
A China planeja atingir a neutralidade de carbono até 2060, o que tem impulsionado fortemente o setor de energias renováveis no país. Em 2024, as áreas ocupadas por instalações solares chegaram a cerca de 4.520 km² — equivalente a três vezes o tamanho da cidade de São Paulo —, e a previsão é que a energia solar componha 45% da matriz energética chinesa até 2060.
A escolha dos locais para esses projetos solares segue os “Planos Quinquenais” do governo, que visam impulsionar o desenvolvimento econômico em regiões específicas, e não necessariamente as áreas menos prováveis de afetar o meio ambiente.
Ao analisar os dados de 2014 a 2023, considerando fatores nacionais, ambientais e sociais, juntamente com registros de observação de aves feitos por cidadãos científicos, a pesquisa constatou uma redução significativa na diversidade de aves nas áreas onde as políticas solares foram mais intensas.
Os efeitos negativos foram mais evidentes em regiões economicamente desenvolvidas e em áreas com vegetação não desértica. Tanto aves residentes quanto migratórias foram impactadas, embora espécies nativas de regiões montanhosas, menos ideais para instalações solares, não tenham sofrido prejuízo.
A expansão das usinas solares também foi acompanhada por iniciativas de plantio de árvores para atender a exigências ambientais, mas os pesquisadores destacaram um “esverdeamento inferior”, onde, apesar da área de cultivo não diminuir significativamente, a qualidade ambiental piora.
Yuanning Liang, da Universidade de Pequim e comentarista do estudo, ressaltou que as aves são excelentes indicadores da biodiversidade, pois possuem dados confiáveis de abundância ao longo do tempo e espaço. Ela também destacou que os problemas identificados para a energia solar podem ser aplicados a outras fontes renováveis, como os parques eólicos.
O próximo passo, segundo Liang, é relacionar a diversidade de aves aos serviços que os ecossistemas oferecem e ao valor da conservação para que as políticas possam equilibrar custo ambiental e benefício.
Os pesquisadores recomendam direcionar grandes projetos solares para regiões com menos impacto ecológico, realizar avaliações detalhadas prévias e limitar a transformação de terras produtivas e habitats ricos na natureza.
Huiming Zhang concluiu afirmando que o avanço da energia limpa e a proteção da biodiversidade podem coexistir, desde que sejam feitos com cautela na escolha dos locais e com medidas de proteção ambiental adequadas.


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