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Governo lança plano de IA com supercomputadores, nuvem nacional e parceria com China

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O governo federal anunciou nesta quinta-feira, 20, novas ações do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que envolvem a compra de dois supercomputadores, uma colaboração com a China para desenvolvimento de modelos de IA e capacitação de profissionais, além da criação de uma nuvem nacional para armazenamento de dados.

O objetivo do governo é diminuir a dependência tecnológica do Brasil de outros países, fortalecendo a capacidade nacional de processamento para fomentar pesquisas científicas e apoiar o setor produtivo. O investimento total dessas medidas é de aproximadamente R$ 2,3 bilhões.

Supercomputador

O edital para aquisição do supercomputador prevê um investimento de R$ 1 bilhão para comprar um equipamento que estará entre os dez maiores do mundo em capacidade de processamento de IA. Este equipamento terá uma capacidade de 7,2 mil petaflops, ou seja, poderá realizar cerca de 7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo.

O supercomputador será instalado no Rio Grande do Norte, estado que está recebendo a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira, 20. A instalação no estado se justifica pela disponibilidade energética adequada para o funcionamento da máquina.

Este supercomputador poderá ser usado pelo governo, universidades e empresas, com a criação de um comitê de governança que definirá os critérios para priorização dos projetos que terão acesso à máquina.

Nuvem nacional

O governo também anunciou a criação da “Nuvem Brasileira”, um sistema de armazenamento de dados que utilizará tecnologia nacional. O projeto será desenvolvido a partir de uma parceria entre os setores público e privado e começará com um estudo do mercado para avaliar a capacidade técnica da indústria brasileira.

A ideia é desenvolver um software brasileiro em conjunto com empresas nacionais para garantir a proteção dos dados armazenados.

Este projeto será coordenado pelo Ministério da Gestão e Inovação, em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

Desde 2023, o Brasil mantém a Nuvem de Governo, que armazena dados de órgãos federais em território nacional, porém essa nuvem utiliza tecnologia de empresas internacionais, mesmo que operacionalizada sob controle estatal.

Já a Nuvem Brasileira terá tecnologia e software completamente desenvolvidos no país, reforçando a soberania tecnológica.

Parceria com a China

O plano inclui ainda a instalação de outro supercomputador no Rio de Janeiro, que será realizado em colaboração com as empresas chinesas Huawei e iFlytek, a partir de julho de 2027. O investimento será de R$ 1,2 bilhão ao longo de cinco anos.

Esse polo terá foco no desenvolvimento de sistemas de linguagem natural em português, com a previsão de formação de três mil especialistas durante o período.

Além disso, o governo está aberto a parcerias com outros países, especialmente os da América Latina.

Outras iniciativas

O Brasil pretende incentivar a produção de chips com arquitetura aberta, chamados “RISC-V”, que são gratuitos e não requerem pagamento de licenças. Essa iniciativa será realizada em colaboração com a Espanha, com investimentos de cerca de R$ 125 milhões ao longo de quatro anos.

O governo também planeja criar um Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que terá o objetivo de desenvolver pesquisas e estabelecer padrões de segurança para o uso da inteligência artificial no país. Serão investidos cerca de R$ 50 milhões nos próximos dois anos.

De acordo com o governo, o centro funcionará exclusivamente como um núcleo de pesquisa para identificar as melhores práticas sobre IA, sem qualquer interferência sobre grandes plataformas digitais.

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