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Milei critica alto custo do aborto legal na Argentina
O presidente da Argentina, Javier Milei, relacionou a redução da natalidade no país ao movimento feminista e à aprovação do aborto legal, descrevendo-o como uma “loucura” que gera um grande impacto negativo na economia e no sistema previdenciário.
“Estamos pagando um preço alto pela decisão dos lencinhos verdes”, afirmou Milei nesta quinta-feira (20), referindo-se ao símbolo da campanha pelo aborto legal.
Durante uma conferência empresarial em Buenos Aires, o presidente destacou que o país não registra uma taxa de crescimento populacional nem de natalidade suficiente para manter o equilíbrio demográfico.
“Essa prática de interromper a vida no útero também traz custos elevados para o progresso do país, e sem mencionar os efeitos no sistema de aposentadorias”, acrescentou.
Conforme relatório recente do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a Argentina enfrenta uma transformação demográfica significativa, com a taxa de fecundidade caindo para 1,2 filho por mulher em 2024, muito abaixo do nível necessário para manter a população, que é de 2,1 filhos por mulher.
Segundo o UNFPA, esse declínio é resultado de diversos fatores, incluindo dificuldades financeiras, insegurança no emprego, acesso limitado à moradia e falta de opções para cuidar das crianças, contribuições para que mais de 60% das pessoas tenham menos filhos do que gostariam.
Milei sempre enfatizou que o aborto equivale a um “homicídio agravado pelo vínculo”, embora não tenha apresentado propostas para anular a lei que legalizou o aborto em 2020.
Por outro lado, entidades da sociedade civil afirmam que o governo tem reduzido, no âmbito de medidas de austeridade, programas e instituições dedicados à saúde sexual e reprodutiva, dificultando na prática o acesso à interrupção legal da gravidez.


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