Brasil
Crianças brasileiras não localizadas em operação nos EUA
Nenhuma criança brasileira foi encontrada durante a operação Statewide Shield, realizada na Flórida, Estados Unidos, que conseguiu resgatar 163 crianças desaparecidas, conforme informado pela Polícia Federal (PF) na quarta-feira (9).
A operação trouxe esperança para Clarisse Cardoso, que busca por seus filhos: Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, desaparecidos desde janeiro em Bacabal, Maranhão.
Quando alguma criança desaparecida é localizada, um advogado ou órgão federal pode solicitar à Interpol uma verificação para confirmar se ela é alguém desaparecido no Brasil.
Nesta quarta-feira, Clarisse fez pessoalmente esse pedido à Polícia Federal, na sede da Superintendência Regional do órgão em São Luís, acompanhada pela advogada Nathaly Moraes.
A PF coletou material genético da mãe para possibilitar um confronto de DNA caso alguma criança seja encontrada.
De acordo com Nathaly, o processo de comparação genética continuará mesmo após a exclusão da possibilidade de que Ágatha e Allan estejam entre as crianças resgatadas nos EUA.
Em entrevista ao Estadão, a advogada afirmou que o material genético coletado pela PF poderá ser utilizado para futuras análises, caso as crianças sejam localizadas em outros países.
“Estou mantendo contato com ONGs internacionais e acompanhando todas as informações de crianças desaparecidas cuidadosamente. Não vamos desistir até encontrar os irmãos e obter uma decisão definitiva”, declarou Nathaly.
A Interpol também ofereceu suporte nas buscas por Ágatha e Allan, disponibilizando ferramentas úteis para a investigação. As crianças devem ser incluídas na lista amarela da organização, que alerta sobre pessoas desaparecidas internacionalmente.
Em coletiva de imprensa na quarta-feira à tarde, a advogada Nathaly Moraes revelou que os irmãos nunca tiveram documentos de identificação, complicando a inserção de seus dados em bases oficiais e dificultando a identificação em casos de localização.
Apoio da Interpol
No dia anterior, Nathaly foi contactada pelo Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal, que disponibilizou ferramentas da Interpol para a família. Esses recursos poderão ajudar na repatriação dos irmãos caso sejam encontrados em outra nação.
Ágatha e Allan desapareceram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, a aproximadamente 250 km de São Luís.
Os irmãos estavam acompanhados do primo Wanderson Kauã, de 8 anos, que foi localizado vivo três dias depois, em 7 de janeiro.
A prefeitura de Bacabal afirmou que a esperança de encontrar Ágatha e Allan permanece viva e que todos os esforços possíveis estão sendo realizados para auxiliar nas buscas e na investigação.
Além disso, a administração municipal assegurou que continua oferecendo suporte social e psicológico necessários à mãe e aos familiares das crianças, bem como assistência para os moradores da comunidade São Sebastião dos Pretos, com especial atenção às crianças e adolescentes locais.

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