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Economia

Ex-chefe do BC recebia R$ 760 mil por mês para facilitar comunicação

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O banqueiro Daniel Vorcaro fraudou contratos de serviço para justificar pagamentos irregulares a Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, conforme relatório da Polícia Federal (PF) obtido pelo GLOBO. Santana criou um grupo de WhatsApp com Vorcaro para oferecer uma consultoria especializada. A relação começou em 2023 e continuou até o final de 2025, quando veio a público.

Em uma decisão na noite de quinta-feira (10), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de investigações ligadas ao Banco Master, a pedido do presidente da corte, Edson Fachin.

Mensagens entre Santana e Vorcaro mostram inicialmente diálogos simples e registros de ligações telefônicas, evoluindo para conversas mais detalhadas e o formato do grupo criado para facilitar a comunicação entre ambos.

A atuação de Santana incluía aconselhamento, revisão de documentos e decisões típicas de sua função. Em abril de 2024, agendou reunião presencial para discutir estratégias, com local escolhido por Vorcaro (na sede do BC ou no Banco Master, em Brasília).

Em 15 de abril de 2025, Santana questiona Vorcaro sobre o envio de minuta, e ele confirma que estava ajustando números e posteriormente envia documento intitulado “Ofício Banco Master ao diretor de Organização do BC”.

A PF aponta que a relação cresceu e, em outubro de 2025, quando Vorcaro tentava negociar a venda do Banco Master para evitar liquidação, Santana informou ter criado o grupo para facilitar a interlocução, com interações frequentes via mensagens de texto e chamadas de voz atuando em conjunto para defender interesses do banco.

Pagamento milionário

Santana recebeu pagamentos ilegais do Banco Master, conforme investigação da PF. Em outubro de 2024, recebeu R$ 760 mil em pagamentos simulados através de uma entidade de fachada, denominada Varajo Consultores, para a qual Santana foi contratado a fim de desenvolver estudos técnicos para inclusão de jovens no mercado financeiro. Outros pagamentos de valores elevados também foram identificados.

Além da propina em dinheiro, Santana também teve despesas pagas, incluindo viagens internacionais custeadas pelo Banco Master, como uma viagem a Paris em setembro do ano anterior.

Após o escândalo, Santana foi convocado para esclarecimentos no BC, afirmando que os valores recebidos a partir de 2023 estavam ligados a projetos sociais, mas desconhecia a origem deles virem do Banco Master.

Medidas judiciais

Em março, no processo que determinou a prisão de Vorcaro, a Justiça aplicou diversas medidas cautelares contra Belline Santana:

  • Proibição de acesso ao Banco Central;
  • Proibição de contato com investigados na Operação Compliance Zero;
  • Proibição de sair da comarca onde reside;
  • Suspensão do cargo público no Banco Central;
  • Monitoramento eletrônico.

Procurado via advogados, Belline Santana não apresentou resposta.

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