Brasil
Preocupação com o avanço de Flávio Bolsonaro na Amazônia
Na região amazônica do Brasil, as comunidades indígenas acompanham com apreensão a ascensão política do candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL), que planeja dar continuidade às políticas de seu pai, Jair Bolsonaro, cujo governo ampliou consideravelmente a degradação da maior floresta tropical do planeta.
Para a líder do povo Sateré-Mawé em Manaus, Inara Waty, o sobrenome Bolsonaro representa, acima de tudo, medo e tudo que é prejudicial à sua gente.
Recordando o governo anterior, ela não esconde a emoção ao falar do impacto sofrido pelos povos indígenas durante o mandato de Jair Bolsonaro, de 2019 a 2022, período em que houve aumento recorde do desmatamento e retrocessos nos direitos indígenas.
Flávio Bolsonaro, favorito no segundo turno marcado para 25 de outubro contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), declarou que seu governo seria uma continuação, um “Bolsonaro 2.0”.
Em campanha, o senador ressaltou que a principal abordagem ambiental foi a implementada no governo de seu pai e classificou como uma luta contra uma “agenda ambiental radical” as ações do ex-presidente, hoje condenado por tentativa de golpe de Estado.
O candidato ainda minimizou os eventos climáticos extremos, atribuídos pelos cientistas ao aquecimento global causado pelo homem, afirmando que são fenômenos cíclicos.
Uma questão de sobrevivência
Flávio Bolsonaro conta com o respaldo dos grandes produtores agrícolas e pecuaristas, frequentemente em conflito com as comunidades indígenas por terras, especialmente na Amazônia.
Aliados ligados a ele foram eleitos para governar sete dos nove estados amazônicos.
Inara Waty destaca a disputa pela terra: “Eles querem terras para plantação de soja e para criação de gado, enquanto nós queremos as terras para viver, plantar e cuidar delas”.
Por isso, as eleições representam uma questão vital para os indígenas.
Manifestantes da etnia yanomami chegaram a se pintar e se manifestar contra Flávio Bolsonaro, associando-o aos garimpeiros que invadem seus territórios e provocam crises humanitárias.
No periodo do governo anterior, os yanomami sofreram com essas invasões, que resultaram em sofrimento e perdas para suas comunidades.
No plano de governo de Flávio Bolsonaro, o meio ambiente é tratado como um ativo estratégico, incluindo a promessa de eliminar o desmatamento ilegal até 2029, objetivo que não foi cumprido anteriormente.
Especialistas consideram essa meta incompatível com as políticas ambientais adotadas pelo ex-presidente.
A assessoria do candidato não respondeu a questionamentos sobre detalhes do plano ambiental nem sobre as preocupações das comunidades e ambientalistas.
Um cenário preocupante
Tuxaua Ara, indígena do povo Mura, recorda que o governo anterior foi marcado por grilagem e desmatamento intensos.
Os embates entre o governo Bolsonaro e organizações ambientais foram acirrados, especialmente durante os grandes incêndios de 2019, provocados por aliados do presidente.
Segundo dados oficiais, a Amazônia perdeu cerca de 11.600 km² de floresta por ano nesse período, quase 60% a mais do que nos quatro anos anteriores.
O governo Lula conseguiu reduzir esse índice pela metade em 2025 e ampliou a demarcação de terras indígenas, apesar das críticas por promover exploração petrolífera na costa amazônica.
As mudanças climáticas não foram prioridade na campanha eleitoral deste ano, embora o Brasil esteja entre os países mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno El Niño.
Incêndios no Amazonas aumentaram em setembro e outubro de 2026, em comparação com o ano anterior.
Para a ativista Suely Araújo, este cenário de destruição iniciado no governo passado está mais avançado, e a perspectiva com Flávio Bolsonaro pode ser ainda pior.
No primeiro turno das eleições, o senador liderou a votação com uma pequena margem sobre o presidente Lula.

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