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Economia

Agricultores familiares aumentam renda em 30% com programa federal

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Uma das maiores alegrias da agricultora piauiense Célia Maria da Silva Soares, de 66 anos, é quando os seus quatro netos chegam na cozinha e se sentam para saborear um prato generoso de feijão verde.

Além do tempero especial feito com o carinho de vó, as crianças adoram o prato, que vem acompanhado da farinha de mandioca produzida por ela mesma, além do cheiro verde colhido da mesma horta. Não há lugar para refrigerantes; as frutas cultivadas se transformam em sucos naturais para as crianças.

A pequena roça da vó Célia está localizada no Assentamento Santana Nossa Esperança, na área rural de Teresina (PI). Além de alimentar os filhos e netos, Célia e seu marido, Francisco, cultivam alimentos como agricultores familiares para vender ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), iniciativa do governo federal que tem transformado suas vidas.

Implementado desde 2003, o programa compra alimentos diretamente dos agricultores familiares e doa esses produtos gratuitamente a pessoas em situação de vulnerabilidade por meio de organizações sociais, públicas e filantrópicas de todo o Brasil.

Esse apoio não só melhora a qualidade do alimento de quem recebe, mas também eleva a renda dos produtores. Uma pesquisa recente, divulgada pelo governo federal, revelou que os agricultores familiares atendidos pelo PAA tiveram um aumento de até 30% na sua renda.

O estudo, elaborado pela Universidade Federal do ABC (UFABC) e pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), mostrou que, somente em 2023, o governo investiu cerca de R$ 2 bilhões para comprar 376,6 mil toneladas de alimentos, beneficiando aproximadamente 9 milhões de pessoas e alcançando mais de 9 mil entidades que recebem os alimentos.

No caso da família de Célia, já são 20 anos cultivando um terreno cedido pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), localizado a cerca de seis quilômetros de sua residência. Desde que começou a participar do programa, na última década, ela conseguiu melhorar significativamente sua casa, que hoje tem pisos de cerâmica.

Ela e Francisco amam viver no assentamento, pois podem vender seus produtos para a quitanda local e compartilhar o que produzem com a comunidade, garantindo que ninguém passe fome. A produção inclui milho, abóbora, mandioca, maxixe, manga, tamarindo, mel e beiju, tudo cultivado de forma orgânica, livre de agrotóxicos.

Para Célia, é gratificante saber que está ajudando a alimentar quem mais precisa, motivo pelo qual ela e Francisco acordam cedo todos os dias para cuidar da roça.

Além disso, o estudo do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome apontou que o PAA ajudou a reduzir em até 57% a probabilidade de os agricultores permanecerem no Cadastro Único, mostrando sua eficácia em promover autonomia econômica.

Em 2024, o programa estava presente em 3.334 municípios, cobrindo 60% das cidades brasileiras em todas as regiões do país. Os agricultores beneficiados pelo modelo de “Compra com Doação Simultânea” tiveram um acréscimo médio de R$ 50 na renda per capita, equivalente a um aumento de 30%.

Do total, 75% dos agricultores atendidos estão inscritos no Cadastro Único. No caso dos produtores que vendem leite, o ganho médio foi de R$ 32 por pessoa, representando um aumento de 19% na renda familiar.

O levantamento também registrou um crescimento significativo na participação de povos indígenas, que passaram de 0,7% em 2022 para 6% em 2024, após o governo ampliar a prioridade para esse público no programa.

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