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Aliados apostam em ação contra Ciro e encontro Lula-Trump para conter derrota de Messias

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A rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), na semana passada, motivou integrantes da oposição a tentar consolidar a ideia de que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estaria vivendo um momento de fragilidade política, perdendo sua capacidade de articulação no Congresso. Contudo, poucos dias depois, aliados do Planalto começaram a apostar que os recentes acontecimentos políticos podem fortalecer o governo diante dessa narrativa.

Entre os fatos destacados pelo grupo estão a operação da Polícia Federal (PF) que atingiu o senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos principais líderes do Centrão e ex-ministro do governo Jair Bolsonaro (PL), e a reunião entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada na quinta-feira.

Aliados do governo avaliam que esses episódios reforçam a percepção de que o cenário político em Brasília é dinâmico e muda rapidamente, dificultando a fixação de uma narrativa de enfraquecimento contínuo do Planalto. Eles entendem ainda que essa sequência de acontecimentos pode suavizar, pelo menos por enquanto, o impacto da derrota de Messias.

Para os governistas, o encontro entre Lula e Trump teve caráter político e eleitoral significativo. O diálogo pode desconstruir a imagem difundida por grupos bolsonaristas de que a direita teria uma interlocução privilegiada com o presidente americano. Além disso, a agenda do encontro, organizada de modo ágil e fora do protocolo de visitas oficiais, tem potencial para fortalecer a imagem de liderança internacional do presidente Lula.

Nos bastidores, aliados petistas também destacaram que o resultado do encontro foi politicamente favorável. Após quase três horas de conversa, o presidente americano qualificou o diálogo como “produtivo” e descreveu Lula como um presidente “dinâmico” em suas redes sociais.

Até membros do Centrão rejeitam a ideia de um colapso político do governo. Eles reconhecem que o Executivo encontra desafios para articular sua base desde o início do mandato na Câmara e no Senado, mas destacam que o governo continua avançando em pautas importantes. Um líder desse grupo mencionou reservadamente que a ideia de um governo enfraquecido é falsa.

A operação da PF contra Ciro Nogueira foi vista como simbolicamente relevante por atingir um dos principais articuladores da aliança entre Centrão e bolsonarismo. Ciro foi alvo de mandados de busca e apreensão na nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes envolvendo o Banco Master. As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, indicado ao STF pelo ex-presidente Bolsonaro.

Apesar de o governo tentar usar o episódio como um ativo político, há reconhecimento interno de que a operação ampliou o desconforto com o Senado. Isso porque, logo após a derrota de Messias, a ofensiva da PF, ligada ao governo federal, atingiu diretamente um dos líderes do Centrão, possivelmente aprofundando resistências no Congresso.

Aliados de Lula avaliam que o episódio pode transferir parte da pressão política para o campo adversário e enfraquecer a aproximação entre setores do Centrão e o bolsonarismo, reforçando a estratégia adotada desde as investigações contra Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e que criou o termo “BolsoMaster”.

Governistas consideram que o caso também alimenta uma narrativa de precaução em relação às alianças entre setores da direita e lideranças do Centrão. Essa percepção se fortalece com a associação de figuras como Ciro Nogueira e o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, ao caso.

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