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Andy Burnham pode ser único candidato à liderança trabalhista
Andy Burnham, novo membro do Parlamento britânico e possível próximo primeiro-ministro, reuniu-se com membros do Partido Trabalhista nesta terça-feira, 23, para se preparar para a disputa pela liderança, na qual pode ser o único candidato.
Burnham é o favorito para substituir o primeiro-ministro Keir Starmer, que anunciou sua saída em poucas semanas após dois anos de mandato marcados por erros e decisões que prejudicaram sua popularidade dentro do partido e perante a população.
O fortalecimento das chances de Burnham ocorreu na segunda-feira com o apoio do ex-secretário de Saúde, Wes Streeting, seu principal concorrente.
O sistema parlamentar do Reino Unido possibilita que partidos que estejam no governo mudem de líder, e assim de primeiro-ministro, sem realizar eleições nacionais. As próximas eleições gerais não precisam ocorrer antes de 2029.
As nomeações para a liderança do Partido Trabalhista abrem em 9 de julho e fecham uma semana depois. Se Burnham for único candidato, pode assumir como primeiro-ministro em 17 de julho. Caso haja disputa, o vencedor deve assumir até o retorno do Parlamento em 1º de setembro.
Planos econômicos ainda não detalhados
Burnham foi prefeito da Grande Manchester, liderando a transformação da cidade no norte da Inglaterra, região histórica pela Revolução Industrial. Ele prometeu trazer seu estilo conhecido como “Manchesterismo” para todo o país.
Muitos esperam que sua habilidade de comunicação e carisma o conectem melhor com o público do que a postura mais rígida de Starmer.
No entanto, suas propostas políticas ainda não estão claras e são pouco conhecidas. Alguns membros do partido desejam uma disputa interna com debates públicos para esclarecer essas propostas.
Espera-se que Burnham faça um discurso na próxima semana para apresentar parte de seus planos econômicos. O ex-ministro das Forças Armadas, Al Carns, que renunciou recentemente em protesto por cortes em defesa, afirmou: “Precisamos discutir claramente o futuro do país”. Ele sugeriu que pode entrar na disputa, mas ainda não decidiu.
Outros cogitam nomes como Darren Jones, ministro sênior e aliado de Starmer, mas ele não se pronunciou até agora.
Para concorrer, um candidato precisa do apoio de pelo menos 81 parlamentares trabalhistas, cerca de um quinto dos membros do grupo. Muitos defendem evitar uma disputa para não expor divisões internas e prolongar a instabilidade política.
Starmer afirmou que deseja uma transição tranquila e organizada, torcendo pelo sucesso do próximo líder. Durante o restante do seu mandato, não fará grandes anúncios de políticas públicas.
Sete primeiros-ministros em uma década
Starmer anunciou sua renúncia após refletir sobre o futuro do partido, reconhecendo que muitos não o veem como a melhor pessoa para liderá-los nas próximas eleições.
Ele é o sexto primeiro-ministro a deixar o cargo em dez anos, durante o décimo aniversário do referendo para saída da União Europeia, decisão que ainda influencia a política e economia do Reino Unido.
Apesar de vencer as eleições de julho de 2024 com ampla maioria, a popularidade de Starmer e do Partido Trabalhista caiu desde então.
Starmer enfrentou dificuldades para promover crescimento econômico, melhorar serviços públicos e reduzir o custo de vida, sendo afetado por erros, incluindo sua escolha controversa de Peter Mandelson como embaixador nos EUA.
O partido perde eleitores para o Partido Verde e enfrenta a ascensão do Reform UK, liderado por Nigel Farage, que lidera pesquisas de opinião.
Quem é Andy Burnham
Aos 56 anos, Burnham é conhecido por seu estilo direto e informal, sendo mais comum vê-lo em camiseta do que em terno. Pratica futebol e gosta de batalhas de DJ com músicas dos anos 90.
Nascido e criado no noroeste da Inglaterra entre Liverpool e Manchester, filho de um técnico da British Telecom e de uma recepcionista, ingressou no Partido Trabalhista na adolescência. Formou-se em Cambridge e foi eleito deputado em 2001.
Passou cerca de 15 anos no Parlamento, servindo nos governos de Tony Blair e Gordon Brown, ocupando cargos como Cultura e Saúde.
Tentou liderar o Partido Trabalhista em 2010 e 2015, mas foi derrotado. Saiu do Parlamento em 2017 para ser prefeito da Grande Manchester.
Como prefeito, ganhou visibilidade nacional e recebeu o apelido de “rei do Norte”, reforçado durante a pandemia pela crítica à resposta do governo conservador liderado por Boris Johnson.
Liderou a modernização urbana e econômica de Manchester, ampliou o controle público do transporte e fortaleceu sua imagem de defensor das regiões fora de Londres.
Destacou-se também na luta por justiça no caso do desastre de Hillsborough, que matou 97 torcedores em 1989.
Sua vitória recente na eleição especial de Makerfield foi vista como fortalecimento político, consolidando seu favoritismo na disputa trabalhista.
Aliados destacam sua habilidade de comunicação, a capacidade de se conectar com eleitores e simplificar mensagens políticas. Os críticos, porém, consideram suas propostas pouco claras e duvidam que sua experiência regional seja suficiente para governar nacionalmente.
Burnham defende medidas para diminuir o custo de vida, ampliar investimentos em educação e criar empregos para jovens. Critica o modelo econômico baseado na “teoria do gotejamento”, que falhou em regiões industriais.
Mesmo com dúvidas sobre sua adaptação ao cenário nacional, ele é atualmente o principal candidato à liderança do Partido Trabalhista e ao futuro do governo britânico após a renúncia de Starmer, em meio a pressões políticas e desgaste no cargo.

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