Economia
Anvisa identifica bactéria em 100 lotes de produtos Ypê
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) comunicou a detecção da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos fabricados pela marca Ypê em Amparo (SP).
Em reunião da diretoria colegiada realizada nesta quarta-feira (13), o presidente do órgão regulador, Leandro Pinheiro Safatle, reforçou a orientação para que a população evite o uso dos produtos listados e procure o serviço de atendimento ao consumidor da empresa.
— Foram identificadas 76 irregularidades, incluindo falhas graves na qualidade microbiológica com a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos acabados, além de deficiências no controle dos materiais de embalagem — explicou Safatle.
Essa constatação ocorreu após uma inspeção conjunta realizada em abril de 2026 pela Anvisa, pelo Centro de Vigilância do estado de São Paulo e pelo serviço de vigilância municipal.
Com base na inspeção, a Resolução 1.834/2026, publicada em 5 de maio, determinou a suspensão da fabricação e recolhimento de lotes de detergente lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetante da marca Ypê com numeração final 1.
Segundo Safatle, o fabricante e a Anvisa mantêm reuniões técnicas para mitigar o risco sanitário identificado. A empresa apresentou investimentos e tem intensificado esforços para corrigir as irregularidades, comprometendo-se a cumprir as determinações sanitárias até quinta-feira.
— Reforçamos a recomendação para que os consumidores não utilizem os produtos listados na Resolução 1.834/2026 e busquem o atendimento da empresa — afirmou o presidente da Anvisa.
A diretoria da Anvisa retirou da pauta o julgamento do recurso apresentado pela Química Amparo contra a resolução de suspensão, que será retomado na sexta-feira.
Leandro Pinheiro Safatle também defendeu a atuação do órgão baseada em critérios científicos e criticou a politização em redes sociais relacionada à decisão de retirar os produtos Ypê das prateleiras, alvo de ataques.
— A disseminação de informações falsas e distorcidas prejudica a qualidade do debate público e, principalmente, coloca vidas em risco no campo da saúde — destacou Safatle.
Para ele, essa situação impacta a confiança social e constitui um desserviço à população. Em casos que envolvem risco à saúde pública, a Anvisa age com agilidade.
A bactéria Pseudomonas aeruginosa é comum em ambientes com água, solo e superfícies úmidas. Para a maioria das pessoas, o risco é baixo, mas aumenta para imunossuprimidos, pacientes em tratamento contra câncer, transplantados, pessoas com feridas, queimaduras ou dermatites, além de bebês e idosos fragilizados.
A Ypê declarou que está colaborando intensamente com a Anvisa para encontrar uma solução definitiva. Representantes da empresa se reuniram com a agência para atualizar seu plano de ação, reafirmando o compromisso de atender integralmente às recomendações da Anvisa.
A empresa apresentou dados detalhados e relatórios técnicos de microbiologia, verificações dos processos e análise de risco ao consumidor. Por esses motivos, a Ypê solicitou à Diretoria Colegiada da Anvisa a manutenção dos efeitos do recurso que suspende a Resolução 1.834/2026 até que toda a documentação necessária seja apresentada ao órgão regulador.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login