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Atraso no resgate dos corpos após terremotos revolta moradores na Venezuela
Com a esperança de encontrar familiares vivos diminuindo, sobreviventes do recente terremoto na Venezuela exigem rapidez na remoção dos corpos, enquanto a quantidade de vítimas fatais ainda é incerta.
Autoridades informaram que já são 2.645 mortos, principalmente em La Guaira, região próxima à capital Caracas, que também foi afetada pelos tremores.
Nove dias após o desastre, equipes de resgate começam a finalizar as buscas por sobreviventes, embora muitos continuem na esperança de encontrar alguma pessoa viva sob os escombros.
A revolta aumenta desde o início da tragédia, primeiro pela demora na ajuda para resgatar os vivos e agora pela lentidão em retirar os corpos em decomposição. Dalimer Díaz, 43 anos, questiona: “Eles dizem que procuram os vivos, mas e os mortos? Eles não são humanos também?”, enquanto observa os escombros que prendem sua mãe, irmãos e sobrinhos.
José Vieira, 40 anos, critica a situação: “É revoltante e desumano. Parece que querem que todos morram para passar as máquinas e que tudo seja esquecido”.
O governo evita comentar sobre o número de desaparecidos, estimado pela ONU em 50 mil, e calcula que milhões ficaram desabrigados, muitos vivendo nas ruas ou em abrigos improvisados em parques, sem perspectivas.
A atualização oficial dos mortos foi feita via publicação do governo, sem declaração da presidente Delcy Rodríguez.
Jorge Rodríguez, chefe da Assembleia Nacional, defendeu a atuação do governo durante a crise, criticada pela escassez de socorristas e equipamentos até a chegada da ajuda internacional. Inicialmente, vizinhos, familiares e voluntários foram os responsáveis por remover os escombros em busca de vítimas.
Em sua primeira entrevista coletiva, Delcy Rodríguez afirmou que a mídia cria narrativas para causar desordem durante a emergência.
A presidente também negou que os corpos sejam enterrados em valas comuns e determinou que sejam identificados. Um necrotério improvisado foi montado ao ar livre no porto de La Guaira, onde familiares aguardam para receber os corpos e suas certidões de óbito.
Uma equipe espanhola chegou para ajudar a retirar escombros em Caraballeda, onde José Francisco Liendo, 50 anos, perdeu sua irmã e pai. Ele declarou: “Não vou ficar em paz até que os corpos sejam resgatados. Que as máquinas não os levem como lixo”.
O governador de La Guaira, José Gregorio Terán, informou que 50 toneladas de ajuda humanitária são distribuídas diariamente e que aproximadamente 10 mil pessoas receberam atendimento hospitalar na região.
Caracas também sentiu os tremores, embora a destruição não tenha sido tão intensa quanto em La Guaira. Uma parte de uma escola católica desabou recentemente, mas felizmente não havia ninguém no local, segundo o padre Johan Caldera.

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