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Avanço de negros e mulheres no serviço público ainda é limitado

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A presença de mulheres e negros em cargos de liderança no serviço público brasileiro tem crescido, porém ainda perde em representatividade. Pesquisas indicam que de 1999 até 2025, 75% dos cargos de liderança foram ocupados por homens e 78% por pessoas brancas, enquanto pretos e pardos corresponderam a 3% e 14%, respectivamente.

Os dados são resultado de três estudos da pesquisa Lideranças Públicas no Brasil, realizados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em conjunto com o Movimento Pessoas à Frente e a Fundação Lemann.

Apesar do aumento da participação feminina, que atualmente representa quase 40% das lideranças, a diversidade ainda não corresponde à pluralidade da sociedade brasileira. As maiores diversidades estão em ministérios que atuam diretamente com igualdade racial e de gênero.

Os estudos também apontam que a contratação externa tem sido uma estratégia para ampliar essa diversidade, especialmente com a entrada de mulheres e negros provenientes de fora do serviço público. Entretanto, a maioria dos cargos de alta liderança federal continua sendo ocupada por servidores concursados com experiência interna, boa qualificação acadêmica e uma pequena porcentagem ligada a partidos políticos.

Um dos estudos destaca que a permanência média em cargos de direção é curta, mas a trajetória dos dirigentes mostra que muitos seguem em posições de liderança em outros órgãos ou retornam ao serviço público, fenômeno chamado de “efeito bumerangue”. Isso sugere uma elite burocrática com acumulação de experiência e memória institucional.

Felix Lopez, coordenador do projeto e técnico do Ipea, ressalta que entender quem governa a máquina pública e como se dá a seleção dessas lideranças é essencial para discutir a capacidade do Estado. Segundo ele, a realidade da burocracia federal é mais complexa do que o senso comum imagina, situando-se entre o extremo de cargos ocupados apenas por aliados políticos e o extremo de uma burocracia técnica que atua independente de pressões políticas.

Essas pesquisas serão publicadas em breve em um volume temático do Boletim de Análise Político-Institucional, destacando o papel das lideranças públicas na gestão e desenvolvimento do Estado brasileiro.

Luseni Aquino, da Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, do Ipea, enfatiza que lideranças são fundamentais não só para manter a máquina pública e implementar políticas, mas também como agentes de inovação e transformação do Estado, o que torna o tema da gestão pública cada vez mais relevante.

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