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Canetas para emagrecer reforçam padrão de magreza moral

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A popularidade das canetas para emagrecer, medicamentos injetáveis usados no tratamento da obesidade, trouxe muitas discussões. Apesar de terem resultados significativos e apoio de várias entidades médicas, muitas pessoas utilizam esses remédios sem orientação profissional ou sem serem obesas.

Segundo a professora Fernanda Scagluiza, das faculdades de Saúde Pública e Medicina da USP, a procura por essas canetas está relacionada a uma “economia moral da magreza”.

Fernanda Scagluiza explicou que essa economia moral atribui diferentes valores a certos tipos de corpo: o corpo magro é visto como fruto de esforço e controle, enquanto o corpo gordo é estigmatizado com estereótipos negativos como preguiça e falta de disciplina, o que é injusto e incorreto.

Ela destacou que quem tem o corpo magro tende a ter mais vantagens sociais no trabalho, na educação e na vida pessoal, enquanto pessoas gordas frequentemente enfrentam opressão e perda de direitos.

Os padrões de beleza são antigos e mudam ao longo do tempo, mas sempre excluem muita diversidade corporal. Esses padrões alimentam uma indústria que vende soluções para quem não se encaixa nesses modelos.

Fernanda Scagluiza acredita que nunca se é magro o bastante, e que qualquer quantidade de gordura corporal é encarada como um problema que precisa ser solucionado, atualmente inclusive com medicamentos que promovem uma magreza farmacológica.

Apesar de movimentos recentes de valorização da diversidade corporal, Fernanda alerta que a moda e a sociedade ainda privilegiam corpos extremamente magros, o que é preocupante, principalmente para jovens influenciáveis.

Ela ainda comentou que as pressões da busca pela magreza extrema podem ser perigosas para a saúde mental e física das pessoas e que a medicalização do corpo saudável atrelada a padrões estéticos pode levar a comportamentos prejudiciais, como restrição alimentar excessiva e uso inadequado das canetas emagrecedoras.

Fernanda Scagluiza enfatiza que a alimentação saudável é um direito humano fundamental, relacionado à qualidade de vida e prevenção de doenças, e que essa medicalização e estigma podem causar grandes danos à sociedade.

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