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Irã desafia EUA: escolha entre acordo ruim ou ação militar inviável

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A Guarda Revolucionária do Irã lançou um desafio aos Estados Unidos neste domingo (3), exortando Washington a optar entre uma operação militar impossível ou aceitar um acordo insatisfatório com Teerã. Esta provocação surge após o presidente americano, Donald Trump, desmerecer a última proposta iraniana para encerrar o conflito.

A tensão permanece elevada desde o cessar-fogo em 8 de abril, após quase 40 dias de confrontos entre forças israelenses-americanas e as retaliações iranianas na região.

Os esforços diplomáticos não lograram reativar as negociações infrutíferas de 11 de abril, em Islamabad, devido a divergências profundas, sobretudo sobre o bloqueio do Estreito de Ormuz e o programa nuclear iraniano.

Segundo o serviço de inteligência da Guarda Revolucionária, “a margem de manobra dos Estados Unidos para decidir diminuiu”. O comunicado enfatiza que Trump deverá escolher entre uma ação militar inviável e um acordo desfavorável com a República Islâmica.

O órgão também mencionou um ultimato iraniano referente ao bloqueio americano dos portos do Irã, além de uma mudança na postura da China, Rússia e Europa em relação aos EUA.

No sábado, Donald Trump questionou a possibilidade de aceitar a proposta iraniana recebida recentemente, afirmando que revisaria o plano, mas duvida que seja aceitável, alegando que o Irã ainda não pagou um preço suficientemente alto pelos seus atos nas últimas décadas.

De acordo com agências iranianas, Teerã enviou a Washington, via Paquistão, um plano com 14 pontos visando o fim do conflito em até 30 dias. Entre as exigências estão a retirada das forças americanas próximas ao Irã, o fim do bloqueio dos portos e do congelamento de ativos iranianos, reparações financeiras, o levantamento das sanções, um mecanismo para o controle do Estreito de Ormuz e o encerramento da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano.

O Líbano foi envolvido no conflito quando o grupo Hezbollah, alinhado ao Irã, atacou Israel em retaliação à morte do líder iraniano Ali Khamenei no primeiro dia dos bombardeios, em 28 de fevereiro. Em resposta, Israel ordenou uma evacuação urgente das zonas ao sul do Líbano definidas como área de segurança.

O programa nuclear, tema central para os Estados Unidos e Israel, que acusam o Irã de buscar a bomba atômica — uma alegação negada por Teerã — não foi citado na proposta divulgada pela agência Tasnim.

Esse mesmo plano já havia sido enviado aos EUA anteriormente esta semana, também via Paquistão, porém sem detalhes específicos revelados.

O conflito causou milhares de vítimas, principalmente no Irã e no Líbano, e impacta a economia global, fazendo os preços do petróleo atingirem níveis inéditos desde 2022.

Embora os ataques tenham cessado, o impasse continua, com Washington mantendo o bloqueio aos portos iranianos em retaliação ao fechamento do Estreito de Ormuz por Teerã, responsável anteriormente por um quinto do transporte mundial de hidrocarbonetos.

Sobre uma possível retomada dos bombardeios contra o Irã, Trump declarou que isso dependeria do comportamento iraniano, embora, no momento, esteja aguardando os próximos acontecimentos. Informou que poderia acontecer, mas nada está decidido.

Formalmente, o presidente tinha até sexta-feira para obter autorização do Congresso para prosseguir com ações militares, porém optou por enviar uma carta informando os parlamentares de que as hostilidades com o Irã haviam sido encerradas.

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