Economia
Casas Bahia busca empréstimo de até R$ 500 milhões durante recuperação judicial
Três semanas após encaminhar à Justiça um pedido de recuperação para reorganizar dívidas que totalizam R$ 17,3 bilhões, a Casas Bahia está em negociações avançadas com bancos e fundos de investimento para obtenção de um empréstimo.
De acordo com fontes próximas à varejista, as conversas envolvem inicialmente um crédito entre R$ 150 milhões e R$ 500 milhões, com o objetivo de alcançar um financiamento total de R$ 1 bilhão.
Esse empréstimo seria na modalidade DIP, do inglês “debtor in possession”, que significa um tipo especial de crédito destinado a empresas em processo de recuperação judicial.
O pedido de recuperação da empresa ainda aguarda aprovação da Justiça de São Paulo, o que tem sido um entrave para a formalização do empréstimo com as instituições financeiras. Também estão em discussão prazos de pagamento e garantias associadas ao financiamento.
Em 28 de abril, após a Casas Bahia relatar uma “corrida de credores” contra seu patrimônio, a juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, antecipou os efeitos da recuperação judicial, concedendo proteção contra cobranças por um período de 180 dias.
A aprovação do pedido ainda depende de uma perícia requisitada pela Justiça para confirmar a situação operacional e a regularidade documental da Casas Bahia.
Responsável pelo processo, a ACDB Administração Judicial avaliará se as lojas físicas, centros de distribuição, site e aplicativo da varejista continuam funcionando normalmente, bem como a ausência de desabastecimento visível e o correto funcionamento dos sistemas de vendas. O laudo deverá ser concluído nas próximas semanas.
Garantir este empréstimo é fundamental para cobrir despesas diárias, como pagamento de funcionários e fornecedores, assegurando a continuidade das operações durante a crise.
A situação é complicada. Conforme informou um fabricante consultado, após o anúncio do pedido de recuperação judicial, pedidos de mercadorias com entregas programadas foram suspensos e as condições de pagamento modificadas.
Anteriormente, os produtos eram entregues nas lojas e centros de distribuição da Casas Bahia com prazos de pagamento de 45 a 90 dias, conforme contrato. Agora, os fornecedores exigem pagamento antecipado antes do envio das mercadorias. Fontes indicam que esse cenário tem se ampliado para outros casos similares.

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