Economia
Casas Bahia enfrenta a maior crise financeira da história
No pedido de reestruturação apresentado à Justiça neste domingo, a Casas Bahia informou que está atravessando a sua pior crise financeira desde a criação da empresa, enfrentando uma situação mais difícil do que a vivida em 2024 durante sua recuperação extrajudicial. Atualmente, a empresa possui dívidas que totalizam R$ 17,3 bilhões.
O grupo explica que o aumento da taxa Selic a partir de 2021 trouxe impactos muito severos, pois o modelo de negócio depende fortemente do crediário. Os carnês, que são a base do crediário, são parte da operação desde a década de 1950 e atualmente representam 15,9% das vendas. Entre abril e junho, a carteira de crediário da Casas Bahia fechou em R$ 6,3 bilhões.
Além dos juros altos, o custo com manutenção dos estoques e operações envolvendo riscos com fornecedores também aumentou. Essa dinâmica ocorre porque os bancos antecipam o pagamento aos fornecedores pelas mercadorias vendidas à varejista, que paga esse valor posteriormente com juros maiores.
O cenário foi agravado ainda mais pela inflação, que reduziu a renda e o poder aquisitivo das famílias, principalmente as de menor renda, e pela crescente concorrência de grandes plataformas internacionais, como a Amazon e o Mercado Livre.
A crise não é recente. Em 2023, a empresa já havia iniciado um plano de reestruturação que envolveu o fechamento de 55 lojas, a demissão de 8,6 mil funcionários e a redução de R$ 1 bilhão em estoques.
No entanto, essas medidas não foram suficientes. Em 2024, a Casas Bahia passou por uma recuperação extrajudicial com um passivo de R$ 4,1 bilhões.
Mesmo depois desse processo, o grupo continuou a enfrentar desafios econômicos e financeiros que levaram ao atual pedido de reestruturação judicial. Como parte do processo de recuperação, foram fechadas 298 lojas e cerca de 3 mil funcionários foram demitidos em agosto.
O pedido de reestruturação inclui, além da Casas Bahia, nove empresas do grupo:
- ASAP Log – Logística e Soluções;
- ASAP Log;
- CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística;
- Cntlog Express Logística e Transporte;
- Globex Administração e Serviços;
- Cnova Comércio Eletrônico;
- Integra Soluções para Varejo Digital;
- Casas Bahia Tecnologia;
- Indústria de Móveis Bartira.
Prejuízo de R$ 10,1 bilhões
O pedido de recuperação judicial foi feito após a divulgação do balanço do segundo trimestre, que mostrou o agravamento das finanças da empresa. A Casas Bahia revelou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho, um resultado negativo que é 18 vezes maior do que os R$ 555 milhões registrados no mesmo período do ano anterior.
O relatório financeiro divulgado no domingo apontava explicitamente a possibilidade de uma recuperação judicial ou uma nova recuperação extrajudicial. A administração indicou que estava avaliando diversas alternativas operacionais, financeiras, societárias e estratégicas diante dos desafios de liquidez e das projeções de fluxo de caixa.
A auditoria realizada pela EY ressaltou no parecer que acompanha as demonstrações financeiras uma significativa incerteza quanto à continuidade das operações da empresa.


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