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Economia

Dívidas altas prejudicam o rendimento no trabalho, dizem economistas

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O crescimento das dívidas das famílias tem aumentado os efeitos do estresse financeiro na produtividade laboral. Este foi um dos pontos destacados por economistas no lançamento do Money Lab, novo centro de finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo.

De acordo com pesquisa Datafolha realizada em abril, 67% dos brasileiros possuem algum tipo de dívida, como empréstimos. Ainda segundo o levantamento, 21% da população está com pagamentos atrasados, demonstrando o avanço da inadimplência no país.

Especialistas afirmam que a combinação de maior acesso aos bancos, expansão do crédito e um cenário econômico incerto explica por que os brasileiros continuam poupando pouco. Esse comportamento está ligado à chamada “taxa de impaciência”, que é a tendência de privilegiar o consumo imediato diante da incerteza do futuro.

O Money Lab tem como objetivo ampliar o diálogo entre academia, empresas e a sociedade sobre finanças pessoais, oferecendo cursos, eventos, conteúdo e parcerias. Fábio Gallo, professor de finanças da FGV e um dos fundadores do Money Lab, explicou que o projeto atende à crescente demanda das empresas por programas de educação financeira para seus colaboradores.

— Não há família ou empresa no Brasil que esteja livre deste problema. Isso causa estresse financeiro, endividamento, redução na qualidade de vida e impacto negativo na produtividade, o que traz consequências para as organizações: menor engajamento, aumento do absenteísmo e riscos na cadeia de clientes e fornecedores. O turnover nas empresas tem aumentado significativamente e acreditamos que esse seja um dos motivos.

Fernando Honorato Barbosa, economista-chefe do Bradesco, acrescentou que a saúde financeira recebe pouca atenção apesar dos impactos diretos na rotina de trabalho e na qualidade de vida das famílias.

— As pessoas ficam preocupadas, não conseguem pagar as contas no fim do mês e trabalham pior. Muitas acabam fazendo um segundo ou terceiro emprego, o que reduz as horas de descanso.

Ele ainda comentou que, apesar do aumento da renda, o consumo das famílias continua fraco, pois uma parte desse dinheiro extra é comprometida com o pagamento de dívidas e juros altos. Honorato destacou o conceito da “taxa de impaciência”, que indica a disposição das pessoas em poupar.

— Se a taxa de desconto do futuro for muito alta, as pessoas preferem consumir tudo agora, pois o futuro é incerto. Em situações como uma pandemia, essa tendência se intensifica. A questão mais importante, para a qual ainda não temos resposta, é por que essa taxa de impaciência é tão alta no Brasil?

Para Honorato, a instabilidade econômica do país contribui para esse padrão de comportamento. Ele também questionou a iniciativa do governo de conceder crédito para motoristas de táxi e de aplicativos apesar do elevado nível de endividamento das famílias. Esse programa deve disponibilizar até R$ 30 bilhões em recursos do Tesouro Nacional.

— As famílias se endividam, o governo faz programas para ajudá-las a sair do endividamento, mas ao mesmo tempo concede crédito direcionado. Diante de uma taxa de endividamento alta, oferece recursos mais baratos para aquisição de carros, por exemplo. Isso cria um ciclo difícil de romper.

Ana Paula Vescovi, diretora de macroeconomia do Santander Brasil, afirmou que há uma contradição na economia brasileira: mesmo com juros elevados, o crédito continua crescendo, o que reduz o efeito de uma das principais ferramentas da política monetária.

— O desenvolvimento do mercado financeiro e de crédito no Brasil ocorreu paralelamente a um aperto nas condições financeiras e à manutenção do mercado de trabalho, resultando em uma situação incomum: um forte aperto monetário sem retração no crédito.

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