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El Niño eleva perigo de doenças no Brasil

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As mudanças climáticas extremas causadas pelo El Niño, como secas intensas, chuvas fortes e temperaturas elevadas, podem aumentar os casos de doenças infecciosas como dengue, zika, chikungunya, malária, febre amarela e oropuche em áreas do Brasil afetadas, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), ligada às Nações Unidas.

Além disso, há um aumento previsto nas internações por problemas respiratórios e cardíacos, principalmente entre crianças e idosos, devido à fumaça dos incêndios florestais, particularmente na Amazônia e no Pantanal.

O relatório divulgado em 7 de março destaca o Brasil com um risco médio de crise de saúde pública em 2026, por conta desses efeitos. Este índice considera as condições estruturais e vulnerabilidades tanto da população quanto dos serviços de saúde, que influenciam a forma como os impactos são percebidos. Essa avaliação é compartilhada por outros países da América Latina, como Argentina, Bolívia e Peru.

Nas Américas, há um risco muito alto relacionado a arboviroses – doenças transmitidas por mosquitos, que se tornam muito prováveis e podem causar grandes problemas à saúde pública – e é quase certo que o estresse causado pelo calor seja um dos principais efeitos enfrentados pelas pessoas.

O calor excessivo é a principal causa de mortes ligadas ao clima, afetando principalmente grupos mais vulneráveis, como pessoas com doenças crônicas, idosos, bebês, grávidas e trabalhadores expostos ao sol.

Também estão em alto risco doenças transmitidas pela água, como cólera e leptospirose, devido ao aumento das chuvas e enchentes; além do risco de desnutrição causado pela perda das colheitas em períodos de seca ou enchentes; e possíveis surtos de sarampo, caso eventos extremos forcem aglomerações de populações vulneráveis.

Cenários de seca ou excesso de chuvas podem afetar a saúde mental de quem sofre perdas materiais, deslocamentos e falta de recursos básicos.

Impactos na infraestrutura e sugestões

O documento ainda ressalta que secas, chuvas extremas e enchentes, intensificadas pelo El Niño neste e no próximo ano, podem causar danos ou interromper serviços essenciais de saúde, dificultando o acesso a cuidados médicos durante e após emergências climáticas.

Nos eventos fortes de El Niño em 1997-98, chuvas muito intensas no Peru e Equador causaram grandes danos à infraestrutura de saúde. Situações semelhantes podem ocorrer em regiões vulneráveis como o Sul do Brasil.

Principais recomendações da Opas:

  • Aumentar a vigilância epidemiológica e as campanhas de vacinação para evitar surtos de doenças favorecidas pelo clima.
  • Focar na identificação rápida de riscos e pacientes com doenças crônicas.
  • Utilizar alternativas como telemedicina, equipes móveis e distribuição descentralizada de medicamentos para garantir a continuidade dos tratamentos durante desastres climáticos.
  • Hospitais e unidades de saúde devem revisar seus planos de emergência, protegendo equipamentos essenciais e garantindo fornecimento de água e energia em situações extremas.
  • Fortalecer sistemas de alerta para ondas de calor e preparar-se para os efeitos respiratórios causados por queimadas.
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