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Erdogan usa relação com Trump para garantir presença dos EUA na Otan
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou e desvalorizou vários líderes europeus que participarão da próxima cúpula da OTAN na Turquia. No entanto, o anfitrião, Recep Tayyip Erdogan, tem aproveitado sua proximidade com o líder americano para assegurar sua presença no evento em Ancara, uma visita que pode incluir anúncios importantes em defesa turca.
Trump frequentemente elogia Erdogan, chamando-o de “um líder excepcional” e “bom amigo”. “Eu não teria ido por causa da maioria das pessoas”, afirmou o presidente americano. “Mas ele me ligou e pediu: ‘Por favor, a cúpula será na Turquia. Você deve estar lá. Os Estados Unidos precisam estar presentes’. Então eu irei por respeito a Erdogan.”
A habilidade de Erdogan em aproveitar essa deferência ajudou a evitar o caos que a ausência de Trump poderia causar à aliança, especialmente considerando suas ameaças de retirar tropas americanas da Europa e reduzir o papel dos EUA na OTAN, o que preocupa os aliados. Trump tem cobrado há anos um aumento nos gastos de defesa pelos demais membros e considera que o compromisso para elevar esses investimentos foi uma grande conquista pessoal. Recentemente, ele entrou em conflito com países da aliança por falta de apoio na sua postura contra o Irã.
O presidente americano também indicou que pode fazer anúncios durante a visita relacionados a motores de jatos e uma possível retomada da venda de caças F-35 – proibida há anos devido à proximidade de Ancara com Moscou.
A afinidade de Trump por líderes de perfil forte, como Erdogan, é antiga. Erdogan consolidou seu poder na Turquia, primeiro como primeiro-ministro e agora está no seu 13º ano como presidente.
Philip Gordon, ex-assessor de segurança nacional da vice-presidente Kamala Harris, comentou: “A relação de Trump com Erdogan é bastante forte e segue o padrão da sua preferência. Frequentemente, ele demonstra melhores relações com adversários e autocratas, e é mais cordial com eles do que com aliados.” Gordon, atualmente na Brookings Institution, acrescentou: “Erdogan está tirando total proveito disso.”
Trump deve se reunir bilateralmente com Erdogan durante a cúpula, sendo o primeiro presidente americano a visitar a Turquia desde Barack Obama, em 2015. Em contraste, o ex-presidente Joe Biden evitou proximidade com Erdogan, citando o retrocesso democrático na Turquia e seus vínculos com a Rússia.
Críticos apontam que Erdogan tem enfraquecido a democracia e restringido a liberdade de expressão na Turquia, com investigações e processos contra ativistas, jornalistas e opositores políticos permanecendo como problemas sérios.
Soner Cagaptay, do Washington Institute, afirmou que Erdogan e Trump desenvolveram uma boa relação pessoal durante o primeiro mandato do republicano. Quando Biden convidou Erdogan para visitar os EUA em 2024, após a Turquia apoiar a entrada da Finlândia e Suécia na OTAN, Erdogan optou por não comparecer, sinalizando apoio à provável vitória de Trump nas eleições daquele ano.
Durante um encontro com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, um jornalista perguntou a Trump se ele levaria “uma grande sacola de presentes” para Erdogan, dado o interesse de Ancara em motores F-110 e caças F-35. “Sim, provavelmente farei algo que o deixará muito feliz”, respondeu Trump. Em setembro, ele já havia sugerido que os EUA poderiam retomar em breve a venda dos F-35 para a Turquia.
A Turquia foi excluída do programa de caças F-35 em 2019, após adquirir sistemas russos de defesa antiaérea S-400. Autoridades americanas temem que a Moscou possa obter informações sensíveis sobre as capacidades do F-35 através desses sistemas.
Em reunião no Salão Oval, o vice-presidente JD Vance afirmou que Washington considera formas de vender os jatos à Turquia, mas qualquer acordo precisará respeitar a legislação americana. Uma forte oposição bipartidária no Congresso americano, incluindo republicanos como o senador Jim Risch, presidente do Comitê de Relações Exteriores, se opõe à venda enquanto a Turquia mantiver os sistemas S-400.

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