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Trump acusa adversários de comunistas e diz que identidade dos EUA está ameaçada

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 3, que a identidade do país enfrenta um “ataque renovado” e criticou supostos “radicais e extremistas” internos, às vésperas do 250º aniversário da independência americana.

Quatro meses antes das eleições de meio de mandato, o presidente utilizou o Monte Rushmore como cenário para classificar seus adversários políticos como comunistas “ateus” e “maléficos”.

“Só perderemos as eleições de meio de mandato se deixarmos, se formos tolos e imprudentes”, disse, pedindo ao Congresso a aprovação da Lei SAVE America, que busca restringir o processo de identificação do eleitor para dificultar o voto.

Trump alertou que, ao se aproximar da importante data, a identidade americana está sob ataque e destacou um “ressurgimento da ameaça do comunismo” nos Estados Unidos.

Nas últimas semanas, o republicano tem intensificado esse discurso, principalmente após a vitória da ala esquerda do Partido Democrata em prévias eleitorais, apresentando o avanço desse grupo como prova de que “comunistas” representam perigo ao país nas próximas eleições legislativas.

Comunismo e o excepcionalismo americano

Trump iniciou seu discurso exaltando o “excepcionalismo americano”, mas afirmou que houve tentativas claras de mudar essa característica, afastando o espírito americano e a história do país.

Em seguida, adotou um tom sombrio ao alertar para uma suposta ameaça do comunismo, descrita por ele como mortal para a liberdade americana, maior até que as guerras mundiais, Pearl Harbor e o 11 de setembro.

Embora tenha suavizado o discurso agressivo usualmente usado contra a imigração, Trump expressou preocupação com novos imigrantes que abraçam ideias contrárias aos valores e ao sucesso americano.

“Eles não precisam ter nascido aqui, mas precisam valorizar o que construímos”, afirmou.

Há anos circulam rumores de que Trump gostaria de ter seu rosto esculpido no Monte Rushmore, onde estão homenageados George Washington, Thomas Jefferson, Abraham Lincoln e Theodore Roosevelt. Parlamentares republicanos já apresentaram um projeto para incluir sua imagem ao lado deles.

No sábado, 4, no Dia da Independência dos EUA, ele realizará um comício em Washington com sobrevoo de aeronaves militares e show de fogos de artifício, buscando associar as celebrações à sua administração.

País polarizado

Os Estados Unidos chegam ao aniversário de 250 anos em meio a uma forte polarização política. Democratas criticam Trump por políticas migratórias, crescimento patrimonial da família e expansão dos poderes presidenciais.

Trump enfrenta baixo índice de aprovação, influenciado pela guerra no Irã e pelo aumento do custo de vida.

Uma organização ligada a ele, Freedom 250, assumiu parte das festividades, reduzindo o papel do grupo bipartidário America250, o que causou afastamento de alguns participantes dos eventos.

Uma feira comemorativa em Washington recebeu críticas por espaços vazios, parcialmente devido à intensa onda de calor no leste do país, que deve continuar durante o fim de semana.

Na quarta-feira, Trump ironizou a previsão do clima: “No 4 de julho fará cerca de 41°C, e farei um discurso longo só para mostrar que posso fazer qualquer coisa”.

Pesquisas indicam pessimismo entre os americanos: levantamento da Universidade Quinnipiac mostrou que 61% dos entrevistados acreditam que os EUA não estão cumprindo os ideais da Declaração de Independência, refletindo a divisão política; a maioria dos republicanos acha que sim, já os democratas discordam.

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