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EUA pedem apoio de aliados e China para endurecer sanções contra Irã
Os Estados Unidos solicitaram nesta quinta-feira (20) que tanto seus aliados quanto a China participem da nova iniciativa do presidente Donald Trump para isolar economicamente o Irã e provocar o colapso do governo em Teerã.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, destacou que Trump está mudando sua estratégia da pressão militar para a pressão econômica, em meio a uma guerra impopular que já dura quase seis meses.
“Isso terá efeito no Irã e poderá levar o regime ao colapso”, afirmou Bessent ao canal CNBC. “Será a maior operação de isolamento econômico coordenado da história mundial”, acrescentou.
Ao falar sobre os aliados, Bessent fez um alerta firme: “Ou estão conosco ou estão contra nós”.
Sobre a pressão à China, ele mencionou que “é melhor discutir em privado”, mas incentivou Pequim a aderir ao plano.
Esse plano reduz a probabilidade de os Estados Unidos retomarem operações militares de grande escala contra o Irã, explicou Bessent.
“Aplicando máxima pressão econômica, provavelmente não haverá uma nova guerra em grande escala, pelo menos por enquanto”, afirmou.
O presidente Trump anunciou na quarta-feira, em uma mensagem extensa em sua rede Truth Social, que a operação econômica contra o Irã será avassaladora, e que países permitindo ajuda financeira, empresarial ou governamental ao Irã enfrentarão severas consequências econômicas.
“Terrorismo econômico”
O Irã denunciou os Estados Unidos por “terrorismo econômico” e “crimes contra a humanidade”.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que as sanções americanas atacam os direitos humanos básicos dos iranianos e classificou essa política como terrorismo econômico e crimes contra a humanidade, afirmando que os responsáveis devem ser julgados e punidos.
Enquanto o conflito no Oriente Médio permanece estagnado, Trump busca intensificar esta guerra econômica sem precedentes para pressionar Teerã, que segue firme e critica a política americana como fracassada.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o plano do presidente americano visa desviar a atenção da crise interna dos Estados Unidos.
Após ataques conjuntos de Israel e dos Estados Unidos em 28 de fevereiro, Trump tem feito declarações inflamadas e mudado posições diversas vezes.
Entretanto, devido à impopularidade da guerra e baixos estoques de munição, o líder republicano tem adotado uma postura mais cautelosa recentemente.
As hostilidades militares diminuíram, apesar da retomada da guerra no último mês e da quebra de um acordo firmado em junho.
Trump disse que as negociações com o Irã estão suspensas por enquanto.
Teerã mantém quase fechado o estratégico Estreito de Ormuz, enquanto Washington segue com bloqueio naval ao Irã.
Trump insiste que não pode haver qualquer acordo que permita ao Irã desenvolver armas nucleares, mas a guerra de quase seis meses não forçou Teerã a desistir do enriquecimento de urânio nem de seus planos de energia nuclear.
Desafios econômicos
A economia iraniana, fragilizada por décadas de sanções internacionais, enfrenta grande pressão com esta guerra.
Em 22 de julho, a inflação alcançou 66% nos últimos 12 meses, contra 46% em fevereiro, enquanto a moeda nacional continua em queda acelerada: na quarta-feira, um dólar era trocado por 1,88 milhão de riais, ante 1,65 milhão antes do conflito.
Em maio, o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, chamou as empresas para evitar demissões e pediu aos legisladores que adotem medidas para fortalecer a “economia da resistência”.
Esse termo, usado pela primeira vez em 2010 por seu pai e predecessor, o líder supremo Ali Khamenei, que faleceu tragicamente logo no início da guerra, significa diminuir a dependência do país em relação ao exterior.


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