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EUA ressaltam vínculos ‘sólidos’ com o Vaticano após encontro ‘amistosa’ de Rubio com o papa
O principal diplomata dos Estados Unidos, Marco Rubio, buscou superar a crise recente e melhorar as relações com o Vaticano nesta quinta-feira (7), em um encontro amigável com o papa Leão XIV para discutir a guerra no Oriente Médio e os esforços humanitários nas Américas.
Rubio visitou o Palácio Apostólico da Santa Sé semanas depois das duras críticas feitas pelo presidente americano, Donald Trump, ao líder dos 1,4 bilhões de católicos no mundo devido à sua contra a guerra.
O Departamento de Estado afirmou em comunicado que a audiência destacou a firmeza da relação entre os EUA e o Vaticano, além do compromisso de ambos com a paz e a dignidade humana.
“Discutiram os esforços humanitários em andamento” nas Américas e “as iniciativas para promover paz e fidelidade no Oriente Médio”, complementou a nota.
A Santa Sé tem sido uma peça importante na diplomacia cubana e tem exercido pressão crescente sobre Washington desde o retorno de Trump ao poder.
Rubio, católico de origem cubana, tem liderado esses esforços para pressionar o governo comunista da ilha.
Leão XIV tem grande conhecimento da América Latina após passar duas décadas atuando como missão no Peru, onde também adquiriu a nacionalidade.
Relação forte
De acordo com o Departamento de Estado, a conversa entre Rubio e o papa enfatizou a parceria constante e forte entre os EUA e o Vaticano em prol da liberdade religiosa.
O Vaticano não divulgou detalhes do encontro, que foi fechado e durou cerca de 45 minutos.
Rubio reuniu-se depois com o secretário de Estado e número dois do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin.
Parolin afirmou aos jornalistas que a reunião foi uma iniciativa americana e tratou de temas como a América Latina, Cuba e o Líbano.
Embora o governo de Trump tenha celebrado a eleição do papa em 8 de maio de 2025 como o primeiro pontífice americano, as relações com a Santa Sé sofreram um desgaste.
Em um ataque sem precedentes, o presidente qualificou em abril o papa como “fraco em crimes e um desastre para a política externa”.
Essa declaração veio após o papa pedir paz no Oriente Médio e condenar a ameaça de Trump de destruir a civilização iraniana, chamando-a de algo “realmente inaceitável”.
Rubio afirmou que a visita foi planejada antes dessas declarações do presidente.
Posição contra armas nucleares
Trump renovou as críticas ao papa em uma entrevista na segunda-feira, dizendo que o pontífice acha aceitável que o Irã tenha uma arma nuclear, o que, segundo ele, coloca em risco muitos católicos e pessoas.
Questionado, o bispo de Roma disse que a missão da Igreja Católica é pregar a paz e o Evangelho. “Se alguém quiser me criticar por isso, que o faça com a verdade”, declarou aos jornalistas.
“A Igreja tem se manifestado contra todas as armas nucleares por muitos anos, não há dúvida sobre isso”, afirmou o sumo pontífice.
Parolin comentou que atacar o papa é estranho, porque “o papa está sendo um pai”.
Sendo americano, Leão XIV tem mais influência em Washington do que seus predecessores e tem usado sua voz para criticar as políticas de imigração do governo Trump.

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