Economia
Geração Z rejeita IA por preocupações ambientais e no trabalho
Geração Z, os jovens nativos digitais entre 14 e 29 anos, são vistos como adeptos da inteligência artificial (IA), mas muitos estão preocupados e até frustrados com os impactos dela no presente e futuro.
Uma pesquisa da empresa Gallup divulgada em abril mostra que o entusiasmo dos jovens com IA caiu 14 pontos percentuais, ficando em 22%, enquanto a raiva aumentou para 31% entre 2025 e 2026.
Embora o uso da IA se mantenha estável, a sensibilidade dessa geração aos riscos e a postura cautelosa são evidentes. Como explica Zach Hrynowski, pesquisador da Gallup, muitos adotam uma abordagem de “esperar para ver” os efeitos da IA em aprendizado e trabalho.
Entre as preocupações estão os impactos ambientais dos data centers de gigantes como OpenAI e Google, que consomem enormes recursos hídricos para resfriamento. A estudante Marina Amorim, de 24 anos, relata que, na área de tradução, a IA reduz o pagamento pelo trabalho humano, mesmo que o trabalho continue necessário para corrigir erros da IA.
A ansiedade também surge do paradoxo: a IA pode eliminar empregos, mas é indispensável para não ficar atrás no mercado de trabalho, gerando um sentimento angustiante entre os jovens que iniciam suas carreiras.
Carolina Luna, assistente de marketing de 25 anos, comenta o ritmo acelerado exigido pela tecnologia, que gera pressão constante por produtividade e desempenho elevados.
Esse cenário desperta nostalgia por tempos mais simples, ilustrada pelo interesse em câmeras analógicas e produções culturais dos anos 1990, como a série “Love story: John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette” no Disney+.
Segundo Humberto Marques, professor da PUC Minas, embora esses jovens tenham nascido esperando que a tecnologia solucionasse problemas, a IA evidencia que questões humanas não são facilmente resolvidas por ela.
Além do emprego, a sustentabilidade do planeta preocupa a geração. Dados indicam que o consumo global de água associado à IA poderá crescer drasticamente, o que gera críticas de estudantes como Gaspar Vieira, que limita seu uso à programação para evitar contribuir com impactos ambientais.
Há também desconforto com a forma como gerações anteriores lidam com a IA. Enquanto os millennials tendem a integrar a tecnologia em seu cotidiano, os mais jovens observam com críticas e desconfianças crescentes.
Geane Alzamora, da Comissão Permanente de Inteligência Artificial da UFMG, ressalta que este é um momento de revisão crítica, não de rejeição completa, com avaliações mais cuidadosas da qualidade e influência da IA.
Nas redes sociais, a geração Z associa muitos conteúdos ruins à IA, usando humor para expressar seu descontentamento. Um exemplo recente foi a reação ao show de Shakira no evento Todo Mundo no Rio, onde projeções consideradas de baixa qualidade foram atribuídas à IA por muitos jovens.
A geração Z demonstra que, para ela, o uso irresponsável da inteligência artificial por grandes marcas é visto como falta de cuidado e respeito, refletindo uma expectativa crítica e atenta à evolução dessa tecnologia.

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