Economia
Goiás planeja ser líder em IA com investimento de R$ 300 milhões
O governo do estado de Goiás lançou duas importantes iniciativas para impulsionar o desenvolvimento de inteligência artificial (IA) na região, com um aporte total de R$ 300 milhões previstos para os próximos cinco anos. A primeira dessas iniciativas é a criação do Distrito de IA e Inovação em Goiânia, destinado a atrair empresas e centros de pesquisa especializados. A segunda consiste em um investimento de R$ 78 milhões no Centro de Excelência em IA (CEIA) da Universidade Federal de Goiás (UFG).
Localizado em uma área de 91 hectares no Setor Leste Universitário, o distrito visa estabelecer um grande núcleo formado por empresas, centros de pesquisa e startups, promovendo interação e compartilhamento de conhecimento, inspirado em polos globais como o Vale do Silício e o Porto Digital no Recife. Conforme destaca José Frederico Lyra Netto, secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, a formação de um aglomerado é fundamental para troca, aprendizado e consolidação como um dos principais polos de IA do país.
Além da revitalização da região e da sede física do CEIA, o governo oferece incentivos fiscais para atrair empresas, incluindo a redução do ISS de 5% para 2% em Goiânia, subsídios que podem cobrir até metade da contrapartida empresarial em projetos realizados no distrito, e negociações sobre IPTU progressivo e flexibilização urbanística. Em retorno, os projetos devem ser desenvolvidos fisicamente em Goiânia, o que pode gerar empregos qualificados e reter talentos locais.
O governo estadual não terá participação direta em receitas futuras das startups e projetos de grandes empresas que se instalarem, mas centros de pesquisa como o CEIA poderão negociar propriedade intelectual e resultados. A Semantix, empresa brasileira de IA com ações na Nasdaq, foi a primeira a firmar memorando de entendimento para instalação no distrito, que também já foi apresentado à AWS da Amazon.
Diferente do projeto ‘Rio AI City’, que planeja investimentos massivos em data centers, o foco do distrito goiano está na aplicação prática da IA. Conforme apresentado por Netto, o objetivo é aplicar e integrar tecnologias existentes sem a necessidade de grandes investimentos em infraestrutura de pesquisa básica.
Embora Goiás seja conhecido pelo agronegócio, o distrito não será segmentado para essa área específica. O foco será aprimorar sistemas de IA para enfrentar desafios reais da gestão pública em setores como educação, saúde, segurança, além de avanços em robótica e veículos autônomos. Atualmente, o CEIA já incubou startups como a Synkar, que desenvolve veículos autônomos para ambientes internos e externos.
No âmbito do CEIA, o investimento de R$ 78 milhões será empregado na modernização tecnológica, atração e retenção de talentos, incubação de startups e ações educacionais. O centro já atraiu cerca de R$ 500 milhões em investimentos privados, com parceiros renomados como Google, Vivo, iFood, Volkswagen e TV Globo.
A aquisição de novas GPUs da Nvidia, com investimento de R$ 40 milhões, reforçará a capacidade computacional do centro. O CEIA planeja também investir em 2027 em chips com arquitetura Vera Rubin, otimizados para trabalho híbrido de treinamento e inferência de modelos de IA. Conforme explica Telma Woerle Lima Soares, diretora do CEIA, o foco não é construir modelos gigantescos, mas trabalhar com modelos open source ajustados para uso local.
Parte do montante será destinada a um laboratório de mobilidade autônoma, com atenção especial a veículos menores, como drones, uma área na qual o aprendizado tecnológico pode ter ampla aplicação, incluindo sistemas embarcados (edge AI).
Os recursos também serão direcionados para acelerar startups, formar uma rede de empresas parceiras, treinar dois mil professores para multiplicarem o conhecimento em IA e atrair e manter talentos na região. Embora o CEIA não possa competir em salários com grandes empresas globais, o projeto valoriza condições de trabalho atrativas e um ambiente tecnológico atualizado para seduzir profissionais que desejam retornar ao país.
O CEIA tem metas ambiciosas, incluindo a publicação de pelo menos 40 trabalhos científicos e a manutenção de mais de 130 bolsistas ativos simultaneamente, com foco em aplicações para Ciências da Vida e soluções para desafios do setor público em saúde, educação e segurança.

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