Notícias Recentes
Governo aposta em parceria com estados para combater roubo de celulares
Em busca de um marco na segurança pública, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva está preparando uma nova fase do programa dedicado a combater o furto e roubo de celulares, inicialmente lançado em 2023, mas que ainda não apresentou os resultados esperados.
Dessa vez, o foco em discussão no Ministério da Justiça é fortalecer a integração dos dados de boletins de ocorrência, rastreamento e priorizar a devolução dos dispositivos. A falta de sinergia entre as polícias estaduais é vista como um dos maiores obstáculos das ações anteriores.
Para isso, o governo busca aprimorar a conexão de um banco nacional de celulares roubados, cruzando os IMEIs dos aparelhos levados por criminosos. A nova etapa do programa deve ser lançada em breve e faz parte dos esforços da gestão petista para melhorar a popularidade de Lula às vésperas das eleições. Pesquisa Quaest de abril indicou que 52% da população desaprovam o governo, enquanto 43% aprovam.
O Palácio do Planalto tem reunido diversos levantamentos desde o ano passado que mostram que o furto e roubo de celulares é a preocupação mais citada quando o tema é violência urbana.
Os estudos indicam que o receio alcança todas as classes sociais, já que o celular é um item essencial para o dia a dia, seja para trabalho ou lazer, e muitas pessoas já foram vítimas desse crime mais de uma vez. Pesquisa Datafolha do final do ano passado apontou que 60% da população evita usar o celular enquanto anda na rua com medo de ser assaltada.
A principal estratégia do governo agora é estabelecer uma cooperação com os estados, envolvendo o Ministério das Comunicações, Anatel e operadoras de telefonia. O objetivo é avançar na identificação, bloqueio e devolução dos aparelhos roubados. Uma novidade do projeto é que quem adquirir celulares roubados será notificado para devolvê-los.
Com o plano em fase de elaboração, o Ministério da Justiça busca uma solução tecnológica que permita ativar o rastreamento de celulares roubados, bloqueá-los e enviar alertas às autoridades. As mudanças estão sendo inspiradas e melhoradas com base na experiência do Piauí, estado natal do secretário nacional de Segurança, Chico Lucas, que obteve redução significativa desse tipo de crime com um programa que utiliza banco de dados com os IMEIs integrados à investigação da Polícia Civil.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 aponta que foram roubados e furtados 850.804 celulares no Brasil em 2024, uma redução de 12,6% em relação ao ano anterior. A queda foi liderada pelo Piauí, que alcançou diminuição de 29,7%. Esse estado também apresenta o melhor índice entre os registros de furtos/roubos e aparelhos recuperados: para cada 2,7 celulares furtados/roubados, um é recuperado. Esses números comprovam que essa modalidade de crime responde bem a ações focadas das instituições de segurança pública.
A iniciativa conduzida pela gestão do ministro Wellington César Lima e Silva busca uma resposta mais eficaz do que o programa Celular Seguro, lançado em 2023. O aplicativo permite que usuários cadastrem seus aparelhos e números, possibilitando o bloqueio em caso de furto, roubo ou perda.
Até o momento, 4 milhões de CPFs foram cadastrados no programa, com 238.665 aparelhos bloqueados. Embora o app tenha recebido quatro atualizações, internamente o governo não o considera um sucesso.
Esta novidade integra uma série de medidas do governo para aperfeiçoar o combate ao crime, em um cenário em que segurança pública é tema central na disputa presidencial. Conforme noticiado pelo jornal O Globo, Lula intensificou discurso punitivista buscando atrair eleitores de centro, prometendo endurecer no combate a pedófilos, faccionados e agressores, enquanto a campanha ainda define o posicionamento em relação ao roubo de celulares.
Recentemente, o governo tentou capitalizar a prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique, realizada pela Polícia Federal, realizando uma coletiva de imprensa a pedido do ministro da Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira. Essa ação teve como objetivo destacar o combate do Executivo ao crime organizado, diante da preocupação dos aliados quanto ao impacto do caso na eleição.
Além disso, o entorno do presidente reconhece a necessidade de distinguir o criminoso faccionado do ladrão de celular. Historicamente, a esquerda tratou esses grupos de forma uniforme com uma visão mais garantista. Na campanha de 2022, uma fake news afirmando que Lula teria dito que ladrões de celular roubam para “tomar uma cervejinha” foi utilizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para desgastar sua imagem.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login