Brasil
Governo bloqueia ponte em Limeira após acidente fatal e avalia demolição
A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) iniciou os preparativos para uma possível demolição da Ponte do Esqueleto, situada em Limeira, interior de São Paulo, onde uma jovem de 21 anos perdeu a vida após ser lançada sem equipamento de segurança durante a prática de rope jump. O órgão, vinculado ao Ministério de Gestão e Inovação, realizou uma reunião com equipes de São Paulo e Brasília, além de setores técnicos, na manhã de terça-feira, 16, para discutir o desmonte da estrutura.
Considerando que a implosão pode requerer licitação e licenças ambientais, as ações imediatas visam bloquear completamente o acesso à ponte com barreiras sólidas, dificultando a remoção.
A ponte está localizada em um ramal ferroviário desativado da antiga Rede Ferroviária Federal, entre Limeira e Cordeirópolis, na região central do estado. Há mais de dez anos, o local é frequentado para práticas de esportes radicais.
Após o acidente, as prefeituras de Limeira e Cordeirópolis responsabilizaram o governo federal pela manutenção do local, pois trata-se de patrimônio da União. Já o governo federal atribuiu às prefeituras a responsabilidade de impedir o acesso e fiscalizar atividades não autorizadas na estrutura.
Na segunda-feira, 15, representantes das prefeituras, da SPU e da Advocacia Geral da União (AGU) se reuniram em busca de um acordo. Murilo Félix, prefeito de Limeira, defendeu a demolição como solução definitiva, afirmando que a área apresenta riscos conhecidos há anos e continua atraindo visitantes, mesmo interditada. A remoção da estrutura garantiria maior segurança à população.
A SPU propôs inicialmente retirar as cabeceiras da ponte, que são os aterros que dão acesso, até que seja possível organizar e contratar a implosão, que poderá demandar licenciamento ambiental devido à mata na área rural.
Cristina Saad, prefeita de Cordeirópolis, também apoiou a demolição, ressaltando a urgência de evitar novas tragédias. A prefeitura de Cordeirópolis informou que aguarda o calendário definido pela SPU para a demolição.
Os municípios comprometeram-se a abrir valetas para restringir o acesso. Cordeirópolis enviou equipe para verificar a necessidade de reforço na interdição da ponte, que já está fechada do lado do município há anos.
A posse da ponte pela SPU ocorreu após um acordo envolvendo quitação de dívida do Estado com a União, formalizada em maio. A possibilidade de doação ou cessão do imóvel a Limeira foi discutida, mas descartada por falta de interesse público, conforme o prefeito.
A SPU planeja intensificar a sinalização e instalar novas barreiras físicas para dificultar o acesso, além de solicitar o apoio da Polícia Federal para investigar eventos e atividades clandestinas anunciadas nas redes sociais.
Lançada sem equipamentos de segurança
As medidas foram adotadas após a morte de Maria Eduarda Rodrigues, 21 anos, que foi lançada da ponte sem cordas de proteção na manhã de sábado, 13, durante a prática de rope jump. Este esporte radical consiste no salto de uma estrutura elevada, como pontes ou viadutos, utilizando cordas e equipamentos de segurança para proteção.
Um vídeo do acidente viralizou nas redes sociais. Três responsáveis pelo salto foram presos e investigados. A defesa alegou que os protocolos de segurança eram seguidos, mas não souberam explicar a ausência da verificação das cordas naquele dia.
Este não foi o primeiro acidente na Ponte do Esqueleto: em 2025, uma mulher foi encontrada morta sob a ponte, e as causas estão sendo apuradas; também em 2025, duas mulheres sofreram quedas durante saltos de rope jump e ficaram gravemente feridas, sobrevivendo ao impacto. Em 2024, uma ciclista caiu da ponte, não resistindo aos ferimentos.
Como reportado pelo Estadão, o rope jumping no Brasil carece de regulamentação, não possuindo normas, protocolos obrigatórios ou fiscalização específica. Diferente do bungee jumping, que usa cordas elásticas, o rope jump utiliza cordas rígidas e funciona como um pêndulo humano.
Marco Antônio de Campos, presidente da Associação Brasileira de Rope Jumping e Pêndulo Humano, explica que esta atividade opera em um vazio regulatório, sem regras claras que normatizem sua prática no país.


Você precisa estar logado para postar um comentário Login