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Economia

Governo federal protege etanol nas negociações com os EUA

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Com a aproximação do prazo dos Estados Unidos para instaurar novas tarifas sobre produtos brasileiros, o governo federal continua as negociações para tentar reverter essa decisão. Entretanto, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, ressaltou que reduzir tarifas do Brasil sobre o etanol dos EUA não deve ser discutido.

Márcio Elias Rosa destacou que o açúcar produzido no Brasil enfrenta sobretaxas nos EUA e que a negociação deve considerar toda a cadeia de produção. A concessão foi sugerida pelo pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL), em documento enviado ao Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).

“O Brasil trata essa questão com cautela. Esse setor é crucial, especialmente no Nordeste. Abrir o mercado para etanol americano prejudicaria a produção nordestina”, argumentou o ministro.

Ele também lembrou que o açúcar brasileiro enfrenta barreiras elevadas para acessar o mercado americano, com tarifas próximas de 100%, mostrando que as cadeias de açúcar e etanol são interligadas.

O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE) e executivo da Associação Novabio, Renato Cunha, compartilha essa visão e se opõe à entrada de etanol americano no Brasil. Ele destaca que o país é exportador e a importação não tem justificativa, podendo prejudicar a geração de empregos e renda em muitos municípios, especialmente no Nordeste.

Renato Cunha explicou que não há equivalência justa no comércio de etanol, pois os EUA aplicam tarifas muito altas sobre o açúcar brasileiro, enquanto cobram taxas menores no etanol. Atualmente, o Brasil impõe tarifa de 18% sobre o etanol dos EUA, enquanto os EUA cobram 2,5% do etanol brasileiro.

Durante uma audiência pública do USTR, representantes do setor sucroenergético e agropecuário reforçaram a posição do Brasil, defendendo que Brasil e EUA, como maiores produtores mundiais de etanol, devem focar na ampliação do mercado internacional de biocombustíveis em vez de aumentar disputas comerciais bilaterais.

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