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Hamas concorda com fim da guerra e desarmamento em Gaza
O grupo islâmico Hamas anunciou nesta sexta-feira (31) que aceitou um acordo para encerrar o conflito em Gaza, que prevê o desarmamento do movimento e a retirada gradual do Exército israelense do território palestino.
Até o momento, Israel não se manifestou oficialmente sobre o acordo, divulgado na noite de quinta-feira (30) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Trump classificou o acordo em sua rede Truth Social como “um marco histórico” e “um passo importante rumo à paz e segurança duradouras”.
O desarmamento do Hamas, que controla Gaza desde 2007, era um dos maiores obstáculos para o fim do conflito com Israel após o cessar-fogo firmado em outubro.
Uma fonte política israelense informou à AFP que o acordo não atende satisfatoriamente as exigências de Israel por uma desmilitarização total de Gaza. Além disso, a questão não foi discutida na reunião recente na Casa Branca entre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente americano.
De acordo com Trump, o desarmamento é essencial para avançar na criação de um novo governo palestino no território.
Duas fontes do Hamas, que preferiram manter anonimato, confirmaram à AFP a existência do acordo com Israel para o desarmamento do grupo e a retirada das tropas israelenses de Gaza.
As fontes esperam que os mediadores e o Conselho da Paz assegurem que Israel cumpra o acordo e supervise o processo de desarmamento do Hamas.
Ghazi Hamad, negociador do Hamas, declarou que o movimento está fazendo concessões em prol da população de Gaza para evitar mortes e deslocamentos.
Segundo Hamad, Israel não interferirá na questão do desarmamento, que ficará sob responsabilidade do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG).
Uma fonte diplomática explicou que as armas serão entregues a esse órgão de tecnocratas palestinos, que supervisionará a vida cotidiana em Gaza durante o período de transição.
As negociações vem ocorrendo há semanas no Egito para implementar a segunda fase do cessar-fogo entre Israel e Hamas, visando o término definitivo do conflito que começou com um ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023. Esse ataque resultou em 1.221 mortos em Israel e 251 pessoas sequestradas, segundo dados oficiais.
A resposta de Israel deixou mais de 73.000 mortos em Gaza, conforme informações do Ministério da Saúde ligado ao governo do Hamas.
Apesar da trégua, a violência persiste na região, com bombardeios israelenses recentes que causaram a morte de pelo menos quatro pessoas, incluindo duas crianças.
O Conselho da Paz publicou no X que o Hamas aceitou um plano detalhado para implementar as etapas seguintes do cessar-fogo em Gaza, enfatizando que agora o foco está na execução do acordo e que o NCAG iniciará uma transição gradual para a plena autoridade.
Trump afirmou que, uma vez que o Hamas estiver desarmado, as forças israelenses se retirarão e que uma Força Internacional de Estabilização trabalhará com uma nova força policial palestina para assumir a responsabilidade sobre Gaza.
Essa força internacional estará em formação e contará com tropas de vários países, sob coordenação do Conselho da Paz.
Uma fonte diplomática mencionou que o desarmamento será supervisionado de forma conjunta entre essa força e o governo interino do NCAG, que atualmente está sediado no Egito, já que Israel não permite o acesso de seus membros a Gaza.
Israel controla mais de 60% do território e exigia o desarmamento total do Hamas e de outros grupos palestinos para permitir qualquer avanço no processo.
No início de julho, o Hamas comunicou a dissolução do comitê responsável pelos assuntos civis em Gaza desde 2007 e manifestou a intenção de transferir essas responsabilidades ao NCAG, que gerenciará a administração da região durante o período de transição.

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