Economia
Ibovespa cai pela 5ª vez e pode ter semana histórica de queda
O Ibovespa registra queda desde o início do pregão, seguindo o movimento negativo das bolsas ocidentais nesta manhã, agravado pela baixa de 1,18% no preço do minério de ferro em Dalian.
Até o fechamento do dia anterior, o índice acumula uma retração de 17,5% na semana. Caso essa tendência se mantenha até o encerramento do pregão, esta será a maior queda semanal já registrada, superando os 15,6% da semana de 13 de março de 2020, época da pandemia da covid-19.
Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, alerta: “Podemos vivenciar a pior semana da história”. Segundo ele, além da instabilidade no cenário internacional, a situação fiscal no Brasil permanece incerta, principalmente para o ano que vem, no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Não houve nenhuma declaração oficial do governo que tranquilizasse o mercado, indicando qualquer ajuste fiscal”, acrescenta Mendes.
Além da carência de um plano fiscal confiável, analistas apontam a ausência de definição sobre a composição da equipe econômica para 2027. Os resultados dos balanços trimestrais continuam sendo observados atentamente, com destaque para empresas como Vale, Usiminas e Klabin.
Os investidores permanecem atentos à reunião do G20, que ocorre hoje e amanhã. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está em Atlanta, nos Estados Unidos, participando do encontro de chanceleres do bloco, que representa o primeiro contato oficial entre autoridades brasileiras e americanas desde as eleições no Brasil.
O desempenho negativo das bolsas está ligado à temporada de divulgação de resultados corporativos decepcionantes, como os da Amazon, que frustrou expectativas de lucro e receita, além do aumento no preço do petróleo, elevando preocupações com a inflação e reforçando a expectativa de juros mais elevados globalmente.
Resultados da Amazon e Intel desagradaram o mercado, refletindo temores sobre os impactos financeiros dos robustos investimentos em inteligência artificial, comenta Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria.
“O cenário externo permanece desafiador e impacta o Brasil. Sem perspectivas fiscais claras, a tendência é a manutenção de juros altos. O câmbio deverá ser o termômetro para que o governo considere aproximar-se do mercado e apresentar algum plano fiscal”, diz Mendes, da Manchester Investimentos.
Campos Neto reforça que não há negociações aparentes para um plano de ajuste fiscal, mas apenas medidas pontuais para cumprimento das metas fiscais. Nos últimos dias, autoridades do governo manifestaram-se contra qualquer tipo de ajuste.
No setor corporativo, a Usiminas reportou lucro líquido de R$ 243 milhões no terceiro trimestre de 2026, revertendo o prejuízo de R$ 3,5 bilhões do mesmo período de 2025. As ações da companhia caíam 3,47% por volta das 11h40.
Já a Vale apresentou uma queda de 53% no lucro líquido trimestral, conforme esperado, e suas ações subiram 4,73%.
A Petrobras confirmou a terceira descoberta de petróleo no bloco FZA-M-59, na Margem Equatorial, e negou que haja decisão sobre aumento nos preços da gasolina e do diesel. As ações da estatal avançaram 1,67% (PN) e 1,71% (ON).
Ontem, o Ibovespa fechou em queda de 1,06%, aos 169.186,42 pontos, marcando a quarta sessão seguida de baixa.
Por volta das 11h42, o índice caía 0,42%, para 168.480,95 pontos, tendo atingido mínima de 1,29%, em 167.007,57 pontos, cerca de 2.200 pontos abaixo da abertura. Em Nova York, as bolsas recuavam até 2,12% (Nasdaq).
Nos Estados Unidos, o EWZ, principal ETF de ações brasileiras, reduzia seu declínio de cerca de 2% para 0,97%.

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