Brasil
ibovespa cai pelo terceiro dia seguido com foco no cenário fiscal e político
O Ibovespa apresentou queda pelo terceiro pregão consecutivo, refletindo as preocupações dos investidores com a agenda econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O índice fechou em 171.006,10 pontos, uma baixa de 2,68%, alcançando o menor patamar desde 20 de agosto.
Enquanto as bolsas americanas se mantiveram estáveis, o Ibovespa sofreu pressão devido à incerteza sobre a continuidade de uma política fiscal mais expansiva, levando investidores, incluindo estrangeiros, a reduzir a exposição a ativos de maior risco. Dados recentes da B3 indicam que, somente no primeiro pregão após o segundo turno das eleições, os investidores estrangeiros retiraram R$ 2,846 bilhões do mercado.
Na quarta-feira (28), o volume negociado na bolsa chegou a R$ 41 bilhões. No acumulado da semana, o índice perdeu 16,6%, e no mês, recuou 8,2%.
A queda atingiu diversos setores, especialmente as ações cíclicas, que haviam mostrado valorização após o primeiro turno e o avanço de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições, que aumentou a expectativa de alternância no poder. O setor imobiliário registrou baixa de 5,71%, enquanto o índice de small caps recuou 4,22%. Entre as instituições financeiras, destacaram-se as quedas do Bradesco (PN: -6,68%), Itaú Unibanco (-3,42%) e BTG Pactual (-6,52%).
Cláudio Coppola, gestor da Venice RC, aponta que a pressão dos bancos sobre o índice indica continuidade da venda pelos investidores estrangeiros. Ele ressalta que a falta de definição para os principais cargos do novo governo, como o Ministério da Fazenda e Casa Civil, eleva a incerteza no mercado.
Além disso, os resultados do Santander, que reportou uma queda de 28% no lucro líquido do terceiro trimestre em relação ao ano anterior, apontam para desafios no cenário macroeconômico que o governo terá de enfrentar, com destaque para o aumento da inadimplência.
De acordo com Daniel Utsch, gestor da Nero Capital, o movimento do Ibovespa é inteiramente influenciado por fatores domésticos, com retração significativa nos setores ligados à economia interna, devido ao possível impacto de uma política fiscal mais expansiva na política monetária. A necessidade de manter juros elevados para controlar a inflação, diante de maiores gastos públicos, afeta principalmente essas empresas.
Daniel enfatiza que ainda é cedo para afirmar se a queda representa uma oportunidade de compra, pois o cenário macroeconômico permanece bastante desafiador, e o mercado não concede margem para dúvidas ao novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A situação atual é distinta da de 2022, com famílias e empresas mais endividadas e um panorama econômico geral desfavorável.
Por fim, profissionais do mercado observam que a decisão do Federal Reserve (Fed) de manter os juros nos EUA inalterados teve impacto limitado na bolsa brasileira. A surpresa maior veio de declaração do presidente do Fed, Kevin Warsh, indicando redução na frequência das decisões monetárias em 2027 e 2028. Mesmo assim, as preocupações com a política local ainda dominam o ambiente de negociação.

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