Brasil
Ibovespa ultrapassa 200 mil pontos e bate recordes após 1º turno
O Ibovespa terminou a segunda-feira (5) com um dos maiores crescimentos já registrados, em reação ao primeiro turno das eleições. Além de atingir recordes nominais e reais ao ultrapassar a marca dos 200 mil pontos, o índice teve seu maior salto diário desde 24 de março de 2020, quando subiu 9,69%.
O índice fechou com alta de 7,70%, alcançando 206.911,89 pontos, novo recorde histórico nominal e real (considerando a inflação). O recorde anterior foi registrado em 14 de abril de 2026, com fechamento em 198.657,33 pontos.
Naquele dia, o Ibovespa chegou ao pico intradiário de 199.355 pontos, equivalente a 203.063 pontos corrigidos pelo IPCA. O resultado da segunda-feira também ultrapassou esse valor ajustado.
O volume financeiro foi expressivo, superando a média habitual dos pregões, alcançando R$ 79 bilhões (ações do Ibovespa), um dos maiores da história. No acumulado do ano, o índice principal da bolsa sobe 28,4%.
O forte crescimento das ações alcançou quase todos os setores, exceto o de exportação, que foi impactado pela queda acentuada do dólar frente ao real, como no caso da Vale, que limitou ainda mais a alta do Ibovespa.
Os principais índices da B3 tiveram avanços notáveis: o índice de consumo (ICON) subiu 10,5%, o imobiliário (IMOB) cresceu 9,87%, o índice de utilities (UTIL) avançou 8,4%, e o setor financeiro (IFNC) destacou-se com alta de 14,2%.
Esse movimento foi uma resposta direta ao desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno das eleições. Até a última sexta-feira (2), as pesquisas indicavam um crescimento de Flávio, mas não tão expressivo quanto os números das urnas revelaram. O candidato superou o presidente Lula (PT), e os resultados para o Congresso mostraram a consolidação do PL, sinalizando possível aprovação de pautas do Executivo.
Diego Barnuevo, analista de mercados da Ebury, comenta: “A onda conservadora que vem pela América Latina deve continuar no Brasil. Isso deve impulsionar os ativos brasileiros, incluindo o real, após a surpreendente vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, motivada pela expectativa de uma consolidação fiscal mais rigorosa e crescimento sustentável sob sua possível presidência.”
O robusto desempenho dos bancos foi crucial para o Ibovespa no dia, devido à expectativa de que um governo mais à direita possa favorecer o ambiente econômico com melhora na capacidade de pagamento dos clientes, num cenário de juros em possível queda caso as medidas fiscais sejam implementadas.
Luise Coutinho, head de Produtos e Alocação da HCI Advisors, destaca: “No momento, o mercado já prevê uma melhora, porém a continuidade dependerá dos próximos passos eleitorais e das medidas que forem realmente adotadas para assegurar equilíbrio fiscal.”
Para o economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, as estatais também se beneficiam do otimismo com uma gestão fiscal mais rigorosa.
Bruno Perri pondera: “Até o segundo turno, o mercado espera manter essa valorização, embora sejam possíveis eventuais lucros pontuais devido ao ritmo intenso de alta recente.”


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